An unusual turn of events

Eu estou aqui na Savana para o casamento de um primo, aliás, de um não, do meu primo preferido. Aqui em casa sempre fomos mais reservados, sempre fomos um time pequeno: eu, minha mãe e meu irmão. Mas esse primo tinha até a chave daqui de casa da casa da minha mãe.

Ele passou num concurso público e está morando na Sin City, feito eu. Aliás, eu tinha até contando em ficar acampando na casa dele até me arranjar. Mas não deu. A namorada insistiu que era hora de casar. Sem gravidez nem nada, teve um casamento relâmpago. A gente ficou meio chateado com a pressa. Afinal, casamento é sempre mais pra mulher do que pra homem. Me chamem de romântica, mas acho que a afetação toda só é importante pras mulheres. O homem está mais feliz é de assinar aqueles papéis todos e ficar com a mulher que ama. As vezes parece que a mulher só quer é o vestido, o dia de noiva no salão, o color scheme perfeito, os bem-casados, a dama de honra jogando flores. Bem, foi assim que a gente achou que ia ser (a gente, leia-se: a família D.) E parecia que ia ser assim mesmo. A noiva fica escondida até a hora da música manjada (que é a daquele casal famoso que comete duplo suicídio no final, não é?), e tudo que pude ver foi meu primo. Qualquer um diria que era o dia mais feliz da vida dele (até então). Ele ficou brincando que tava feliz de eu estar lá, por que era legal ter uma atriz oscarizada no casamento (segundo ele, meu cabelo pixie me deixou a cara da Halle Berry; não é pra ser o primo preferido? Eu tenho 20 e só ele fala essas coisas). Fiquei aliviada, porque dava pra ver que ele tava lá porque queria. Tem muito cara que fica espalhando pros outros o ressentimento que tem com as companheiras ao invés de confrontá-las. Mas todo mundo via que ele estava lá pra casar com a mulher que amava.

Sobrava a noiva. Pra quê a pressa? Era só pra adiantar o vestido, o dia de noiva no salão, aquela coisa toda? E então, no meio da cerimônia civil, ouvimos a juíza falar o novo nome da noiva, acrescido do D. no final.

Pasmem. Eu pessoalmente acho sem sentido. Mas ninguém esperava. Todo mundo achava que ela estava fazendo por ela mesma. Mas ela pegou o nome do meu primo. Pegou o nosso nome. Num cantinho, uns tios falaram, YES! Porque a família já não é grande o suficiente, né? Não sei porque, mas essa atitude me fez acreditar que eles serão felizes. Vestido, dia de noiva no salão e tudo mais, mas agora eles eram um time.

E como diria o sábio cersibon, cabo.

Publicado em: on Julho 5, 2009 at 4:14 pm Deixe um comentário
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Ze Frank making a lemonade

Há uns 5 anos (mais ou menos) o Rubens me apresentou ao Ze Frank. Durante 2006 eu fiquei viciada no “The Show”, um programa praticamente diario (ele parava nos fins de semana) que Ze fez sozinho durante exatamente 365 dias (give and take).

Olha que ótima jornalista eu sou, que escrita informativa. Tudo graças ao meu diploma. (Alarme de sarcasmo, eu sou formada em Desenho Industrial)

Sim, mas agora dei de cara com um projeto novo do Ze, mas olha que chique. É tipo o “The Show”, mas condensado e… está no site da Time. Uma bela limonada.

Caras como Ze, engraçados, esforçados, criativos, inteligentes e sensíveis. Ok, entidade sobrenatural que sabe tudo? Manda tipo um desses pra mim. Chega de malucos. Eu sei que eu fui taxista na vida passada, mas já chega de malucos.

A batedeira

Quando eu tava pra nascer, o casamento dos meus pais já não ia bem. Minha mãe começou a ter problemas na gravidez, certamente influenciadas por isso. Acho que não era só a relação deles que não ia muito bem. Dizem que tem uma tal de síndrome do segundo filho, e aposto que ela não ajudou nada. Por fim, minha mãe foi aconselhada pelo médico a ir pro Rio, ficar com a minha avó e o resto da família dela.

Minha mãe se recusou a tomar um remédio meio experimental que seguraria as contrações. Como ela tinha placenta prévia, a situação era muito séria. Eu cresci achando que o perigo era que eu morresse, mas ela explicou que não, perigo corria era a vida dela. Pois minha mãe ficou numa cama, imóvel, por um mês. Se ela se movesse, eu nascia; nascia numa época perigosa da gestação, nascia com perigo de ela ter hemorragia. Então ela ficou quietinha, em pleno verão carioca, numa cama de hospital. Minha avó ficava do lado, minha tia corria pra cima e pra baixo pra arranjar material de tapeçaria pra minha mãe ter como se ocupar.

Minha mãe fez um monte desses tapetinhos, todos pensando em mim. Um mês antes de eu ir pro Rio me jogar nos meus sonhos, ela me veio com esse quadro:

Desculpem a bagunça e a granulação

Desculpem a bagunça e a granulação

É uma das tapeçarias que ela fez nessa época.

Bem, no fim de tudo, eu nasci, de cesária, bochechuda feito buda, e ficou tudo bem. Minha mãe foi toda costurada pro Circo Voador e ainda levou cantada. O show era do Eduardo Dusek. Ela tinha quase 24 anos.

Ontem eu estava aqui na casa dela (agora é assim, tem a minha casa, e tem a dela, aqui), vendo o que eu podia carregar comigo. Vi a batedeira elétrica que a gente tem desde sempre, falei que ia levar (já que é 110 mesmo).

“Pode levar. Leva! É sua mesmo. Seu pai me deu quando você nasceu, pra comemorar seu nascimento. Me deu a batedeira, uma secadora, e mais uma outra coisa. De presente por tudo que eu passei pra ter você.”

E você que está lendo pode achar que minha mãe é uma mulher amarga. Mas minha mãe é do tipo que passa isso tudo pra ter um filho e vai no show do Eduardo Dusek, no Circo Voador. Minha mãe é do tipo que ganha um presente desses do marido sem noção e passa minha infância toda fazendo bolo, doce, torta. Minha mãe é do tipo que passa por tudo isso e não desiste. E hoje ela namora um cara super legal, que sabe que nascimento de filho se comemora com beijo, e não com batedeira.

E meu pai casou com uma mulher maravilhosa, que se receber batedeira de presente, manda ele tomar no cú.

E tá todo mundo feliz. Inclusive eu, que adoro cozinhar e agora tenho uma batedeira.

Das coisas da Obamaland que sinto falta

Madison Square Garden worker: Sir… Sir! Sir, where the hell do you think you’re going?
Man, with five-year-old kid: I’m gettin’ in the line for the bathroom.
Madison Square Garden worker: Sir, it looks to me like you’re trying to get into the ladies bathroom.
Man: But I got a kid!
Madison Square Garden worker: Did you give birth to your kid?
Man: No!
Madison Square Garden worker: Then it looks to me like you’re in the wrong fuckin line.

tirado daqui: http://overheardinnewyork.com/

Publicado em: on Julho 2, 2009 at 8:33 pm Deixe um comentário
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It was in love I was created and in love is how I hope to die

Eu queria dar retwitt no meu último post. Sabem, aquele que tem o vídeo do Paolo Nutini no Jools Holland.

Eu fiquei completamente derretida ao ouvir “Candy”, mas “Coming up easy” consegue ser ainda mais derretidora.

Essa frase aí do título! Eu acho que é essa que vou tatuar.

Não vou ter coragem de tatuar mesmo, acho que vou tatuar no cérebro.

Não posso esquecer dela. :)

UPDATE:

Melhor repostar, já que o link do último post está bichado :/

Lavando roupa suja

Ok, a única coisa que não tem como resolver aqui é lavagem de roupa. Não cabe uma máquina de lavar aqui, é muito pequeno.

Isso não é mais problema, porque o Paolo Nutini falou pra mim que lavava a minha roupa se eu desse um doce pra ele.

CABO

So fa

Oi Bárbara, sou seu sofá, eu te amo

Oi sofá, você é lindo, maior que minha cama, eu te amo

(Pois é, estou sozinha há muito tempo)

Amanhã eu viajo e hoje tá tudo resolvido, comofas? Acabou de chegar o sofá, a última coisa que faltava.

O que eu faço agora?

AAAAAAAah…acho que vou  caminhar na praia, foi mal.

Publicado em: on at 11:30 am Deixe um comentário
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Um ano em um mês

Todo mundo me pergunta se eu tou estranhando morar sozinha. A verdade é que não tem nem uma semana que me mudei oficialmente. O fogão só funciona desde sexta-feira. Mesmo assim, parece que eu sempre morei aqui. Eu adoro poder limpar e arrumar acasa do meu jeito, deixar as coisas em um lugar e elas ainda estarem lá quando eu voltar, seja da rua ou seja depois de ir me distrair com outra coisa.

Mas ainda é muito pouco tempo. É muito estranho que eu tenha chegado aqui no dia 1/06. Na quarta-feira vai fazer um mês que estou aqui (uns 31 dias, talvez). Esse ano eu já fiz mais coisas em 5 meses do que em 26 anos de vida.

Aos poucos vou sentindo que vou ficar carente de:

- um certo gato siamês fêmea, dramático e mal humorado, possessivo e que se recusa a admitir que está velho

- mamãe

- mamãe deixando surpresas no meu quarto

- irmão mais velho me fazendo rir quando estou chateada

- irmão mais velho tendo discussões homéricas com a TV (principalmente se for jogo do Vasco)

- campo minado de bombas biológicas do gato supracitado.

Ok, pensando bem, como é bom morar sozinha.

Ble

tremenda inveja desse moleque

tremenda inveja desse moleque

Publicado em: on Junho 26, 2009 at 10:21 pm Comentários (2)
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Até uva passa

Ontem eu ouvi uma música que costumava me lembrar alguém. São aquelas músicas que as pessoas te apresentam e que você acha geniais, e fica com pena de não conseguir ouvir de novo porque sabe que vai lembrar da pessoa. Eu ouvi essa música ontem e não senti nada. Não achei a música genial, não me deu aperto no coração.

Eu vivo falando que aquela pessoa é só uma lembrança, e não é. Vida adulta é estranha. Eu penso dessa pessoa com carinho, lembro do seu sorriso e me vem um grin automático nos lábios. Ao mesmo tempo, sei que essa pessoa só me vem à lembrança quando estou me sentindo feito a música “Ruins”, da Melissa Etheridge: “When I feel the cold and the dark, I remember you”. Me vem um sorriso e um peso no peito. Sei que essa música (Ruins, não a do rádio) é boa demais pra essa pessoa. Ele não me deixou em ruínas. Só posso dizer que minha decepção é que ele não decepcionou. As vezes a gente fica achando que a pessoa só parece ruim, que no fundo, no fundo, ela é boa. Mas não. A gente não sabe de nada.

A gente fabrica desculpas porque quer muito confiar nas pessoas. Mas eu devia ter visto que não era de verdade. Houveram várias oportunidades para isso. Mas ao mesmo tempo eu sentia que deveria engolir as mentiras e as canalhices. Afinal, todo mundo fala que é tudo coisa da minha cabeça, que se eu quisesse mesmo, não ficava sozinha. Então eu decidi que teria sentimentos profundos, apesar de mim mesma, apesar dele. Achei que seria libertador, e foi.

Agora a porta está escancarada e eu não estou vendo nada que achei que veria. Estou vendo um monte de coisas, e nada é bom ou ruim, assim como a música também não. É só uma música. Aquilo que foi um grande evento até que se concretizou, agora é só uma anetoda. A música que me fazia ter aquelas sensações pulsantes todas, é só mais uma no rádio.

O próximo baque vai vir sem planejar. Eu planejei dar as caras, fazer coisas contra a minha natureza. Eu não me arrependo. Não acho que seja necessário sofrer. Mas “sofrer” as vezes é só questão de perspectiva. Um pouco de tempo e eventos, e o sofrimento vira só mais outra música no rádio.

Mas é claro que eu ainda vou lembrar dele quando estiver mal. Fico pensando se ele está bem,  e que ele mal deve lembrar do meu nome. E talvez sempre vá pensar que no final eu seja a criminosa mesmo, pois usei ele pra provar algo pra mim mesma.