Lembro uma vez, quando eu era criança, perguntei à minha mãe o que era Dejà-vu, porque achava que tinha tido um. Não sei porquê, mas a resposta foi uma dessas coisas que ficam ressoando na sua cabeça muitos anos depois.
“Você fez acontecer.”
Fiquei pensando desde então que talvez nosso cérebro goste tanto de certezas que adora pregar esse tipo de peça. Isso de nos levar a situações repetitivas pode ser uma maneira de informar o mundo. Só haveria essa necessidade se o mundo fosse informe.
Outro jeito de informar o mundo é criando coisas. Acho que todo mundo tem desejo de informar o mundo.
Na verdade tudo isso que eu tou falando é muito banal, todo mundo passa por isso. Mas nos últimos meses tenho me sentido como se tivesse acabado de sair de um sono profundo. Como se estivesse vivendo numa caverna todos esses anos.
Por anos eu era só vontade, potencialidade. “Acreditar” era uma coisa meio passiva. “Acreditar” era um salto no escuro, algo que deveria ser feito por fé.
Eu não me lembro de me sentir como agora. Não me lembro de não conseguir mais desvincular o acreditar do agir. Só sei que toda hora que me vejo me repetindo nos vícios, tendo um deja-vu um atrás do outro, me sinto ficando mais dura. Dura, condensada, sólida. Como se a cada repetição eu me reafirmasse e me identificasse. Por um lado é bom, pelo outro, não.
Mas agora, a palavra que não se confirma em ação só me deixa anestesiada. O que eu mais queria agora era uma agradável surpresa.
