Pistas do mistério

Fui esvaziar a bolsa que usei pra sair “pra balada” com a Eri e achei isso:

Remains of the night

Aí lembrei de algumas coisas do dia  (noite):

- Hiro Nakamura e Sílvio Santos estavam presentes;

- Eu fui catar o dinheiro que o SS jogou pro alto e a Eri disse “Isso não é dinheiro de verdade”

- Um cara me puxou pro canto e perguntou de duas amigas que já tinham ido embora, e foi embora. Minutos depois ele tava assediando insistentemente uma mulher de mais de 37, que parecia horrorizada com o tratamento conferido. Me senti muito esnobada;

- O DJ mandou a gente embora ao som de “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…”

Este post e aquela noite foram patrocinados pelo fundo Eri chan de salvação social de Barus.

-

Publicado em: on Novembro 7, 2009 at 9:30 am Comentários (1)
Tags: ,

O Círculo e a Linha?

O Daniel pediu pra eu explicar um conceito da história da arte, estou aqui pensando se faço isso. Talvez fosse melhor fazer um fluxograma ao invés de texto.

Mas pensando em como eu ando lendo livros empoeirados escritos por pessoas já mortas, e vendo o post sobre crianças-prodígio (incluindo o pequeno crítico culinário), fiquei me sentindo meio criança precoce.

Na hora que o menino fala “prosciutto” ao descrever uma pizza, eu lembrei de uma coisa que me aconteceu no domingo passado, em que eu resolvi fazer uma pequena extravagância. Fui no Talho Capixaba e pedi um sanduíche de pastrami, queijo de cabra, rúcula e tomate fresco no pão ciabatta. (Eu que inventei, lá no Talho você pode inventar o sanduíche que quiser com os ingredientes que eles têm). O garçon tascou azeite no sanduiche, ficou um pouco oleoso, mas tava ótimo. Aí eu sento no balcão (pra economizar com os 10% que teria que pagar se fosse pra uma mesa),  e dois velhinhos, que também pediram sanduíches, ficam de olho no meu. Olha, um deles pediu um sanduíche de salmão defumado e pastrami. Chegou um terceiro e falou, “coloca uma rúcula pra ficar mais sensual!” Mas eles se admiraram foi no meu sanduíche. “Você vai ficar comendo isso até terça!” (o sanduíche era grande mesmo). Ficaram todos alegres que eu não ignorei eles. Uma hora eles se distraíram e eu pedi pra embrulhar o sanduiche pra levar pra casa. Aì quando se voltaram pra mim, um deles disse “Já comeu tudo?!”

Me senti em casa com aqueles velhinhos. Não senti como se fossem meus avós ou qualquer coisa, me senti como se estivesse nos albergues de novo. Num lugar onde as pessoas estão compartilhando a mesma disposição à experiência realizada – comer bem, no caso do capixaba; viajar, no caso dos albergues.

E bem, assim minha mente se voltou ao negócio dos latinos-e-mediterrâneos x germânicos-e-nórdicos, o círculo e a linha, o clássico e o romântico, o pitoresco e o sublime, e a dialética ou dinâmica do pensamento ocidental.

Mas agora deu preguiça de explicar. Tá muito quente.

Publicado em: on at 9:22 am Comentários (1)
Tags: ,

Você sabe que está estudando demais quando…

…você acha que o autor está falando com você, diretamente. Não importa se o livro tenha sido escrito em 1988, por um comunista italiano. Ele parece estar respondendo às coisas que andam minhocando na minha mente:

“Não, a vida é naturalmente irracional: racional é o pensamento que se entrelaça à vida, resolve os problemas continuamente colocados por ela, transforma-a em consciência da vida”

(Argan, G.C. Arte Moderna. p. 272)

Ele tá falando sobre como Gropius interpreta a racionalidade e como se propõe a pensar a arquitetura racional (e tudo mais que ele realiza como sendo racional).

” A salvação não reside na razão que faz projetos, mas na capacidade de viver com lucidez a casualidade dos acontecimentos. Tudo se resume a encotrar o ritmo próprio e não perdê-lo, aconteça o que acontecer.” (p. 532)

Aqui ele tá falando do Pollock e seus quadros “respingados”, e também do Jazz.

Dr Argan, tá anotado. É sempre bom conectar-se com alguém, mesmo que este alguém já esteja morto.

Isso dito, chega de estudar. Amanhã vou dar uma pausa. Quando fica pessoal demais, eu fico querendo voltar pra NY…

Rolling with the punches.

O repeteco

Vi “Dança com Lobos hoje”, e não passou na regra dos 15 anos. Terei eu ficado cínica demais?

Pareceu muito velho. MUITO. Que mundo era aquele que criou “Dança com Lobos”?

Não parece o mesmo mundo que criou “Inglorious Basterds”. Esse que vi e revi depois de ter 15 anos. Tinha menos de 15 anos quando vi Pulp Fiction, sem gostar. Será que hoje eu gostaria? Acho que revi depois dos 15, e não gostei.

Aos 13 eu chorei vendo “Cinema Paradiso”. Chorei que funguei e saiu meleca e foi aquele drama. Por anos continuava chorando ao ver “Cinema Paradiso”. Chorava só de ouvir os violininhos. Agora acho o Toto um belo de um f¨lha da p*ta. (Não é auto-censura, é pra evitar o search engine).

Eu lembro quando era criança e ia ao cinema com minha mãe, ela sempre parecia ter um acesso privilegiado à narrativa. Ela sabia explicar tudo do filme! Sabia coisas que ainda iam acontecer. Eu nunca tinha percebido que acabei passando anos com a sensação que existiam pessoas com um acesso privilegiado às coisas da vida.

Hoje em dia parece mais que tá todo mundo criando seu mundinho particular, e ninguém vive no meu mundo. Os meus problemas são só meus mesmo.

Em Dança com Lobos, tinha sempre um índio muito sabido.

No meu mundo não tem mais índio sabido nenhum.

O meu mundo tá mais pra cada um por si, acreditando na narrativa particular de cada um, as vezes se unindo a outros com objetivos diferentes mas um gosto especial pela sensação de estar vivo.

No meu mundo sou só mais um Inglorious Basterd.

Arrivederci.

Eu sofro com telemarketing e quem paga é você, amigo

Baru: boa tarde senhor andré, estaria interessada em fazer uma doação de chocolates?
André : doação de chocolates? Como é isso?
Baru: perfeito, a doação de chocolates consiste na aquisição de chocolates por parte de terceiros, sem ônus financeiros aos mesmos
Baru: a proposta aqui é que a aquisição de chocolates referida seja financiada pelo senhor, confere?
André : uhaeuhuaehuae, mas para que fim?
Baru: para fins de contribuir com o nivelamento da química do cérebro feminino de terceiros

Passei o dia falando com atendentes de telemarketing mil. Clusterf*ck do caramba.

E no final só fico pensando, a nossa vida tá cada vez mais pulverizada e descontruída, ninguém tem mais noção do todo, é briga de faca em cabine telefônica…

Publicado em: on Outubro 29, 2009 at 3:28 pm Comentários (5)
Tags:

Into the wild

O ano não terminou, eu sei. Mas eu dei uma parada pra reavaliar o que fiz.

Cheguei à conclusão de que tinha uma visão muito imatura da vida. Não que eu já tenha ficado perfeitamente madura, mas…

É chegar até aqui e perceber que eu estava perseguindo a cenoura, e não me dei conta da corrida. E nessa, eu estou me dando conta que, desde 2006, eu tenho perseguido x, encontrado z, e refazendo meu trajeto a cada nova etapa.

Fico feliz que eu não tenha que chegar ao ponto em que chegou o Supertramp no final de Into the Wild.

Tenho que me libertar das más escolhas que fiz: das amizades tóxicas que cultivei, nas quais insisti; dos relacionamentos imaturos em que me investi. Nas esperanças que depositei em coisas que não tem nada a ver com o que me falta preencher na vida.

Cegueira de olhos abertos, quem curte?

 

Publicado em: on Outubro 28, 2009 at 1:47 pm Comentários (1)
Tags:

Inocência Barulesca 2

Muito engraçado ver esse post no blog da Erica. Lembro de estar acompanhando esse seriado na época da viagem pra Obamaland e, quando cheguei na Times Square, ver outdoors digitais com propragandas dele.

Saudade do seriado, queria poder acompanhá-lo, mas a Vivo não deixa!

Ainda bem que não chamei os bombeiros hein!

Publicado em: on Outubro 20, 2009 at 1:54 pm Deixe um comentário
Tags:

Inocência Barulesca

Eu, menina do campo Barulesca aqui, tinha sido acordada por um uivo canino e perdido o sono. Fiquei vendo Jtv e rindo de seriados ingleses bobos, e vez por outra rolava um som estranho. Lá pelas 3 da manhã eu começo a ouvir um barulho metálico estranho, e então um gemido fantasmagórico.

Na hora eu lembrei de um caso que ocorreu há uns 5 anos, talvez mais. Eu estava fazendo fisioterapia por conta de uma tendinite (na verdade, tenossinovite, coisa que todo designer tem), e me largaram numa cabine com um aparelho que emite choques elétricos ainda ligado ao meu braço. Estava lá eu, numa cabine de 1×1,5 m, dentro de uma sala maior com infinitas outras cabines. O profissionalíssimo funcionário da clínica, dito fisioterapeuta, havia me instruído a gritar quando o aparelho parasse de funcionar. Eu já me sentia ridícula o suficiente com aqueles choquinhos no braço. Eles passam uma geleca em você, grudam os eletrodos, dizem, “quando parar, grita”, e te fecham naquela cabinezinha. Era só eu lá, olhando pro pano que me separava do mundo lá fora. Silêncio sepulcral. Eu, campesina, esboço minha capacidade de seguir instruções tão profissionais:

Baru Campesina: ….oi?

Eis que uma voz descarnada se faz ressoar. Na hora eu lembrei daquele conto do Edgar Allan Poe, “O gato negro”.

Voz descarnada: OOOOOOOOOOOOi…

Claro que eu fiquei em silêncio. CLARO. Vou acelerar a história pra parar com esse flashback do flashback. No final, a voz descarnada era a de uma velhinha que estava em fisioterapia por conta de problemas neurológicos. Sabe-se lá porquê ela resolveu me responder, talvez fosse uma vitória pessoal para ela, mas me deu um cagaço do caramba, velha safada.

E então, eu aqui, me divertindo, me senti culpada ao ouvir uma voz fantasmagórica. Tem uma casa de repouso na vila, bem em frente à minha janela, e aquele gemido poderia ser uma velhinha morrendo. Começou a me dar agonia. Parei pra pensar que não tenho que me preocupar nada, é uma casa de repouso, tem um monte de gente qualificada pra atender a velhinha. Alias, ou a velhinha tava morrendo, ou era petit mort.

Fiquei me sentinto culpada de novo por fazer piada da velhinha, mesmo que tenha sido só no twitter. (A frase ficou engraçada, merecia um tweet)

Aì abaixei o som e fiquei escutando. Não, não podia ser petit mort. Era alguém morrendo. Faltando ar. E então…

“Ai mãe, ai mãe ai…AI AMOR”

Hahaha que lindo, flagrante delicto auditivo. Essa vila é uma coisa, vou te contar. Não acredito que parei tudo que eu tava fazendo pra dar uma de peeping tom.

Publicado em: on Outubro 19, 2009 at 8:39 pm Comentários (5)
Tags: ,

Epic win sem testemunhas

Estou eu aqui curtindo meu sofá, vendo um documentário sobre a árvore genealógica da humanidade. Em certo momento, travo o seguinte diálogo (sei, perfeitamente platônico e one-sided) com o narrador:

Narrador: No Oregon foi achado um artefato nada convencional

Eu: Merda!

Narrador: O que achamos foi realmente surpreendente

Eu: Acharam cocô

Narrador: Esperavamos encontrar pontas de lança, ferramentas

Eu: Acharam dudu

Narrador: E o que achamos nos surpreendeu. Um cropólito (mostra um pequeno tolete)

Eu: Caraaaaaaaca!

Narrador: É isso mesmo. Alguma mulher ou homem ancestral nos deixou esta amostra de fezes fossilizada

Eu: Pô gente eu tava de sacanagem, fala sério

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 9:41 pm Comentários (7)
Tags:

Amor e ódio na Vila

Quando eu era criança e morava aqui no Rio, eu tinha que passar férias em Brasília. Pra mim era a coisa mais estranha do mundo. Eu cumpria todas as obrigações de criança numa cidade de turismo e ia “descansar” numa cidade admnistrativa.  Eu lembro de descer do avião e pensar o equivalente da época para WTF. Como é que eu voltava bronzeada das férias? Eu morava numa cidade de praia e nunca ia pra praia. Mas claro que tem explicação. Eu não tinha amigos. Os poucos que eu tinha não iam pra praia. Uma vez a mãe de uma amiga minha me levou com a turma pra praia do Leme; parecia um sonho. Então eu fui muito pro fundo e não conseguia voltar. Eu comecei a agitar os braços pedindo socorro e a mãe da minha amiga acenava de volta, tchaaaau! – achou que eu estivesse brincando. Eu consegui voltar (claro né), e fui perguntar porque ninguém tinha ido me ajudar. A mãe da minha amiga ficou traumatizada, achou que levar criança pra praia era muita dor de cabeça pra ela, e foi o fim da minha vida de garota da praia.

Em Brasília a gente vivia entre o clube e o shopping – que durante muito tempo era o único. A minha vida nessa época era ler revistas em quadrinho e colecionar CD’s (tô matando todo mundo de inveja). E se não bastasse eu ter essa malemolência social toda, eu me sentia mais ET ainda entre a minha família. Quer dizer, pra ficar mais claro, entre a família do meu pai.

Não fui criada muito com eles. Depois que meus pais se separaram, eles sempre agiam como se minha mãe tivesse esnobado a família toda. De vez ou outra vinha alguém dizer que minha mãe era alcólotra, que era uma solteirona, coisa e tal. Eu sempre achei muito difícil entender e lá pelos meus anos mais rebeldes (uiuiui) me convenci que eles agiam assim porque tinham essa mentalidade de pod people. Assim, como se fossem corpos diferentes para uma mesma mente. Assim, o que um sofria era ofensa pessoal pra cada um dos outros. Até hoje eles não se envolvem muito na minha vida, e eu fico até aliviada. Toda festa de família ia todo mundo, mais os amigos e os amigos dos amigos, e sempre é uma muvuca de mais de 80 pessoas pra comemorar qualquer coisa. Fazem um festival de frutos do mar pro dia da páscoa. E todo mundo passa o dia bebendo. De noite tem sempre alguém dando escândalo, ou me puxando pro lado e desabafando algo. E nunca ninguém lembrava do meu aniversário ou qualquer coisa pessoal. Ah, e nesses desabafos, nego não regula os detalhes não, sabe? É um TMI FTW (gente do céu eu sou muito nerd).

Pois que os moradores da vila aqui do lado são bem desse jeito. É um tal de levar discussão do foro íntimo pra rua que eu vou te contar. Agorinha uma mulher gritava com um homem (não entendi as palavras) daquele tom recriminador “ô imbecil você entende as crianças”, e o cara respondendo “ué existe isso de entender mas criança não faz sentido” e uma vozinha de criança fazendo mimimi denguinho. Tudo podia ser tranquilamente discutido em casa, mas eles vão fazendo na rua mesmo, gritando, e páram bem debaixo da minha janela. Ah sim, pq o povo da vila é multi-tasking:

Mulher da Vila genérica: ô fulano você é burro não sabe fazer nada

Homem da Vila genérico: caraca você que é uma estúpida, sua estúpida

Velhinha da Vila genérica: Oi MVG, você viu se o homem da net passou aqui hoje?

MVG: Peraí que eu falo com você seu ignóbil — ah, dona VVG, não vi não, ele falou que vinha hoje?

HVG: Dona VVG, me diz o que é que eu conserto pra sinhora

VVG: Oi? O homem da net!

E enquanto eu ouço esses diálogos de louco eu fico pensando, isso é familiar… de onde? Ah… e lembro da minha família. E penso, ai como é bom estar sozinha! E logo em seguida me corrijo: sozinha como?

Eu sei que as pessoas acham que multitasking é uma qualidade positiva, mas eu estou me convencendo que meu onetrack mind é a melhor solução pra mim (ahahhaha ninguém vai entender a piada, lindo).

Só pra terminar, um cara teve uma conversa com um amigão que está morando em Curitiba e gostando muito. Como eu sei? Eram 10 da manhã e o cara resolveu ter uma longa (e gritada) conversa no celular, embaixo da minha janela.

Publicado em: on Outubro 12, 2009 at 9:08 pm Comentários (6)
Tags: , ,