Catcalls

Mais uma aventura na Obamaland!

Por algum motivo bizarro, eu levei muita cantada na rua na Obamaland. Pra quem não sabe, quando um homem maluco grita pra você na rua “GOSTOSA!”, ou passa do seu lado falando meio sussurado “ô Delícia”, não é NADA legal. (Aqui eu só falei das coisas mais levinhas que a gente tem que ouvir). E nem precisa ser bonita.É bem nojento o jeito que falam também, que transforma palavras como “princesa” na coisa mais obcena que alguém pode ouvir.

Pois estava eu, pessoa acostumada a levar cantas obscenas de homens horrorosos. (Não, ouvir de um estranho essas coisas estranhas nunca é legal, mesmo que ele seja bonito. Mas quando ele é um tiozão desdentado, a coisa fica assim.) Andando com uma amiga que fiz lá, “A Alemã”, senti que minha boca estava ficando rachada por conta do frio. Então fiz o que qualquer ser humano faria, sem nenhuma pretensão de nada. Imaginem a cena. Euzinha, em frente ao Ground Zero (onde ficavam as torres gêmeas), tiro um chapstick (protetor labial) da bolsa e começo a usar, distraída. De repente, ouço o seguinte:

“Ooooo I wish I had some chapstick”

Olhei pra cima (de onde vinha a voz) e vi um negão me encarando todo contente. Aparentemente passar protetor labial é uma coisa muito sexy. O negão era bem sinistro (no melhor sentido), mas eu tava meio tonta. Eu só conseguia pensar, “Ué, compra um cara ouxe pra que vc tá me olhando, vc quer o meu? Vai se fudê”

Aí comecei a perceber que ele tava andando com um casal de amigos, ambos pouco se lixando. Minhas amigas também não estavam ligadas. Era eu, sozinha, praticamente, e um maluco querendo chapstick. Estou eu pensando no que responder, e o maluco, frente minha cara de interrogação, continua:

“Where are you going?”, sorrisão e tudo.

OUXE COMO ASSIM?

“Oh, you don’t speak English?” Ele pareceu decepcionado. Eu devia estar com uma mega cara de Q?

Comecei a fazer “Não” com a cabeça e olhar pro chão, e ele desistiu. Ninguém notou. Eu pensei, como assim? Sério, só a minha cara tava de fora. Tava muito frio. Geralmente o cara só fala alguma merda e passa correndo. Você culpa o calor tropical e tal, fritando os miolos…Mas a 2C em frente ao Ground Zero, WTF?

E os dias passaram e toda hora alguma coisa a gente ouvia. A Alemã já ficava com cara de tédio:

“I don’t want to flirt. What  do they think? That I’ll just follow them wherever?”

Porém os Catcalls (isso de homem maluco falar coisas sem sentido com vc na rua) não pararam e, apesar de eu ficar meio desconfortável, foi legal ter atenção de caras da minha idade, “normais”, e não só velhos tarados. Em nenhum momento eu ouvi um “GOSTOSA”, era só “Princess”, “Cutie”, e nenhum soava mal. Quer dizer, por aqui, caras da minha idade ou me ignoram por completo ou me xingam de feia, gorda, etc e tal. Então, pra aleijada emocional aqui, tava muito bom.

É bem estranho ser a menina bonita que recebe tratamento diferenciado. Era um festival de “Sure”, “Go ahead”, “Have a NIIIIIICE Day” e coisa  e tal. Teve um dia que eu estava em Williamsburg (terra dos hipsters, que são bem pior que os emos!), numa bagel shop meio tradicional, e aconteceu uma parada engraçada. Todo mundo diz que o Brooklyn é barra pesada, mas esse foi o incidente mais desconfortável que eu passei lá.

Estou eu pensando ao entrar na loja, BAGELBAGELBAGEL, e vejo que na entrada tem um cara com jeito meio letárgico.  BAGELBAGELBAGEL medá, comprei duas, fui saindo da loja, e o cara letárgico parado na minha frente. Geralmente uma pessoa te daria lugar pra passar, mas ele tava meio imóvel. “Meio”: balançando como se estivesse num barco, entendem? Olhei pra cara do fulano meio puta, querendo entender pq uma pessoa não simplesmente me deixa sair pra comer minhas BAGELBAGELBAGEL no conforto do meu hostel. Dou de cara com a figuraça com os olhos caídos e sorriso besta.

Tipo assim

Tipo assim

Eu consigo desviar da figura e sair, até que ouço:

“Oh, I’m sorry there, little lady…”

Que lindo, o bêbado tava me passando cantada. Vai ver pra ele eu era tipo the flash!

Eu não fiquei pra saber de qualé, fui embora. Quando eu voltar, vou experimentar não ficar tão surpresa com a atenção dispensada pelos maluquinhos.

Ou então tascar um FUCK-U, à lá Bronx.

Publicado em:  on Maio 13, 2009 at 8:48 pm Comentários (3)
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3 Comentários Leave a comment.

  1. Opa, obrigada pelo comentario la no meu blog! Apareca sempre e nao se preocupe – tem varias pessoas discutindo ideias pelos blogs da vida. Se vc visitar os blogs do povo que comenta no meu, vc vai achar algumas figuras bacanas.
    (tem um povo trekker tambem, nao sei o quao trekker vc eh, mas uma pessoa apaixonada pelo spock deve ser pelo menos um pouquinho, hehehe)
    Mas agora eu fiquei curiosa: vc trabalha em que? Mora onde? No Brasil ou em Obamaland?
    Volte sempre, beijos!

    • Achei mesmo um monte de gente bacana! Eu sou trekker noob ou noob trekker, foi muito bom achar trekkers entre seus leitores. Já vi alguns blogs e você tem razão, tem figuras bacanas.
      Terminei meu mestrado em Arte aqui em Brasília, estou finalizando a burocracia e pensando no que fazer depois. É triste, mas é a vida que escolhi! Falo assim da Obamaland porque sou muito americanizada mesmo.
      Volte sempre também!

  2. Bem desse jeito, né?
    A-”Fuck…YOU!”
    B-No, fuckyou, man.
    A-Na na na… Fuck….. YOOU!”

    Seus diários da Obamaland são os melhores!


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