Ok, a única coisa que não tem como resolver aqui é lavagem de roupa. Não cabe uma máquina de lavar aqui, é muito pequeno.
Isso não é mais problema, porque o Paolo Nutini falou pra mim que lavava a minha roupa se eu desse um doce pra ele.
CABO
Ok, a única coisa que não tem como resolver aqui é lavagem de roupa. Não cabe uma máquina de lavar aqui, é muito pequeno.
Isso não é mais problema, porque o Paolo Nutini falou pra mim que lavava a minha roupa se eu desse um doce pra ele.
CABO
Oi Bárbara, sou seu sofá, eu te amo
Oi sofá, você é lindo, maior que minha cama, eu te amo
(Pois é, estou sozinha há muito tempo)
Amanhã eu viajo e hoje tá tudo resolvido, comofas? Acabou de chegar o sofá, a última coisa que faltava.
O que eu faço agora?
AAAAAAAah…acho que vou caminhar na praia, foi mal.
Todo mundo me pergunta se eu tou estranhando morar sozinha. A verdade é que não tem nem uma semana que me mudei oficialmente. O fogão só funciona desde sexta-feira. Mesmo assim, parece que eu sempre morei aqui. Eu adoro poder limpar e arrumar acasa do meu jeito, deixar as coisas em um lugar e elas ainda estarem lá quando eu voltar, seja da rua ou seja depois de ir me distrair com outra coisa.
Mas ainda é muito pouco tempo. É muito estranho que eu tenha chegado aqui no dia 1/06. Na quarta-feira vai fazer um mês que estou aqui (uns 31 dias, talvez). Esse ano eu já fiz mais coisas em 5 meses do que em 26 anos de vida.
Aos poucos vou sentindo que vou ficar carente de:
- um certo gato siamês fêmea, dramático e mal humorado, possessivo e que se recusa a admitir que está velho
- mamãe
- mamãe deixando surpresas no meu quarto
- irmão mais velho me fazendo rir quando estou chateada
- irmão mais velho tendo discussões homéricas com a TV (principalmente se for jogo do Vasco)
- campo minado de bombas biológicas do gato supracitado.
Ok, pensando bem, como é bom morar sozinha.
Ontem eu ouvi uma música que costumava me lembrar alguém. São aquelas músicas que as pessoas te apresentam e que você acha geniais, e fica com pena de não conseguir ouvir de novo porque sabe que vai lembrar da pessoa. Eu ouvi essa música ontem e não senti nada. Não achei a música genial, não me deu aperto no coração.
Eu vivo falando que aquela pessoa é só uma lembrança, e não é. Vida adulta é estranha. Eu penso dessa pessoa com carinho, lembro do seu sorriso e me vem um grin automático nos lábios. Ao mesmo tempo, sei que essa pessoa só me vem à lembrança quando estou me sentindo feito a música “Ruins”, da Melissa Etheridge: “When I feel the cold and the dark, I remember you”. Me vem um sorriso e um peso no peito. Sei que essa música (Ruins, não a do rádio) é boa demais pra essa pessoa. Ele não me deixou em ruínas. Só posso dizer que minha decepção é que ele não decepcionou. As vezes a gente fica achando que a pessoa só parece ruim, que no fundo, no fundo, ela é boa. Mas não. A gente não sabe de nada.
A gente fabrica desculpas porque quer muito confiar nas pessoas. Mas eu devia ter visto que não era de verdade. Houveram várias oportunidades para isso. Mas ao mesmo tempo eu sentia que deveria engolir as mentiras e as canalhices. Afinal, todo mundo fala que é tudo coisa da minha cabeça, que se eu quisesse mesmo, não ficava sozinha. Então eu decidi que teria sentimentos profundos, apesar de mim mesma, apesar dele. Achei que seria libertador, e foi.
Agora a porta está escancarada e eu não estou vendo nada que achei que veria. Estou vendo um monte de coisas, e nada é bom ou ruim, assim como a música também não. É só uma música. Aquilo que foi um grande evento até que se concretizou, agora é só uma anetoda. A música que me fazia ter aquelas sensações pulsantes todas, é só mais uma no rádio.
O próximo baque vai vir sem planejar. Eu planejei dar as caras, fazer coisas contra a minha natureza. Eu não me arrependo. Não acho que seja necessário sofrer. Mas “sofrer” as vezes é só questão de perspectiva. Um pouco de tempo e eventos, e o sofrimento vira só mais outra música no rádio.
Mas é claro que eu ainda vou lembrar dele quando estiver mal. Fico pensando se ele está bem, e que ele mal deve lembrar do meu nome. E talvez sempre vá pensar que no final eu seja a criminosa mesmo, pois usei ele pra provar algo pra mim mesma.
Ontem correu tudo bem. Quer dizer, demorou até conseguir dormir, mas dormi. E acordei ótima. Tomei café na padaria, já que o fogão ainda não tinha chegado.
O fogão já chegou, mas só vai ser instalado outro dia.
Agora estou aqui, sobressaltada com cada estalo que a geladeira dá, cada barulho que passa dos apartamentos vizinhos pro meu, etc, etc, etc…
Ainda sim, prefiro dormir na minha cama do que nacasadosoutros.
A vida continua
Estou morando no apt sozinha, estou com cama, geladeira, internet, que coisa meu deus, que coisa.
Hoje fiquei inventando programa de índio pro Rubens, que apareceu aqui na cidade.
Eu não tou acreditando, tomei banho no meu banheiro, tou aqui na minha cama usando a minha internet.
Aí me vem algo que o Rubens falou, pô, todo mundo te ajudando, apostando em você, vai que vc desaponta?
Hahaha, caraca, dá medo mesmo. Vai que eu desaponto?
Mas por outro lado, penso que só estão me ajudando porque eu já fiz por merecer.
Não devia ter tomado tanto café, tou tremendo.
Ah, alguém ficou encucado sobre meu post da Bahia. Eu coloco um alarme de sarcasmo no final de cada post, nas categorias. Sim, eu falei que odiava bahiano, e estava sendo sarcástica. Eu nunca tive a felicidade de conhecer um bahiano legal. Claro que não odeio de verdade. É piada. Piada. Piada. Piada. Eu tenho que parar com o café! Deu tilt aqui.
Essa capinha pro meu ipod custou só R$2,90 na Tok Stok.

HUEHUSAHSAA Olha onde vai o plug do fone de ouvido.
Olhar pra ele e rir sozinha, é de graça.
Hoje fui chamada de D. Bárbara pela primeira vez na história.
Fiquei no meu apt esperando a geladeira, a cama, a vistoria da companhia de gás.
Queria ter dormido lá, mas ainda não tinha lençol.
Estou aprendendo a dizer “sim” toda vez que me oferecem algo. E a pedir também.
É MUITO difícil. Eu nem sabia o quanto.
Agora mesmo, voltei pra “casadosoutros” cansada porém feliz, e sou recebida de uma forma que me faz pensar se não estaria, ao aceitar tanta generosidade, me comprometendo mais do que gostaria.
Eu gosto muito da minha independência. Tudo bem que ela é relativa. Mas odeio pensar que estou forçada a fazer coisas por causa da generosidade dos outros.
Amanhã, quem sabe! Estarei dormindo na minha cama, no meu apartamento. Uma cama que é minha porque quiseram me dar, mas que fazem questão de falar que está comigo temporariamente.
Meio chato. Se eu soubesse, tinha comprado um colchão de ar. Pelo menos ia ser meu pelo preço da embalagem. Esse negócio de adquirir as coisas sem saber o preço…
Sexta, depois de passar o dia na correria acertando as coisas do meu apartamento, eu terminei o dia na Lapa.
Calma! Na Sala Cecília Meireles.
As luzes se apagaram e adentrou o palco uma moça jovem, com um vestido que seria muito brega, mas que por algum motivo, parecia cinematográfico. Sem mais delongas, ela começou seu solo. O rosto perfeitamente plácido, o corpo dançando, o violino cheio de vigor.
Hilary Hahn tocava como se não fosse nada! Uma auto confiança nada arrogante. Seria tão fácil ser arrogante! E nem ao menos humilde ela é. Não há sacrifício ou sofrimento. Só música sincera, uma franqueza auto-confiante obamalandiana que é uma das coisas que eu mais admiro naquela terra.
E olha que ela reclama que sempre confundem ela por norueguesa.
Auto-confiança Franca em ação:
Hilary tocando a Chaccone, minha preferida
Ela substitui a dor cortante por uma dor suave. Não sei se é bom, mas prefiro assim.