O filme do Japa que é violoncelista e muda de emprego

O filme que o Nei falou é exatamente o que eu vi e que me deixou toda engasgada. Ouvi soluços desconcertantes no cinema. Chama-se “A Partida” (eu cismei que era “A Passagem”) e ganhou Oscar.  Na hora de receber o prêmio o diretor (eu acho) fez a gracinha de dizer “domo arigato mr. roboto”, que nem na música.

Eu adorei o filme. Ao sair, minha tia já foi falando que odiou, achou piegas. Realmente, ele começa com um humor negro e lá pelo meio fica mais sentimental. A trilha sonora é meio comercial de margarina. Segundo minha tia, parecia enlatado pra fazer americano chorar.

Mas eu contei pra ela que tinha visto outras coisas no filme. Fiquei uns 5 minutos explicando. Talvez mais. No final, ela me olhou com um sorrizinho que eu identifico como “que fofinha minha sobrinha”, e eu imaginei que tivesse falado algo poliana, deixei pra lá.

Hoje ela me disse que foi atrás de várias críticas sobre esse filme e nenhuma falava das coisas que eu interpretei. Então eu fui falando que eu tinha identificado coisas de fenomenologia, sinestesia, semiótica plástica. Coisas sobre as quais li durante o mestrado mas que pra minha orientadora eu não tinha a menor autonomia pra falar. (E não tenho mesmo). Eu penso muito essas coisas mas como acho que ou é banal demais e todo mundo vê isso, ou ninguém vê e é idiotice mesmo, só falo delas com essa minha tia. Ela faz essa cara de “bobrinha fofinha”, mas pelo menos gosta de bater uma bolinha filosófica. Segundo ela, eu devia escrever o que falei, porque estava muito bom.

Acho que vou começar sim, mas não vou publicar aqui. Vou tentar me levar mais a sério e escrever em forma de artigo. Tudo isso porque o Rio de Janeiro é lindo, mas em São Paulo tem comida étnica maravilhosa. (E se…eu tentasse ir pra SP?Plano a longo prazo, mas mais realista que ir pro exterior.)

Publicado em:  on Junho 14, 2009 at 11:22 pm Comentários (6)
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6 Comentários Leave a comment.

  1. A titia tá certa porque drama japonês é beeeem pra baixo mesmo.

    Não há o pudor da pieguice na nossa versão ocidental dos fatos e emoções, só há o drama.
    Vide novela japonesa.

    A questão da sinestesia, eu acho que sem essa condição, a princípio, não há cinema.

    Eu gosto de cinema porque é a valorização do agora onde o objeto é imutável (o filme, a cena, a fala), mas a razão do objeto é móvel (o espectador).

    Ah, sei lá.

  2. O filme do japa que vira embalsamador é lindo.

    Pega o “Dolls” do Takeshi. Chapacôco, fia.

    Tem uma coisa que rola com espectador ocidental é que os 2 filmes “japas” que fizeram sucesso nos ultimos tempos foram o “Ultimo Samurai” e “Cartas de Iwo Jima” que são ocidentais.

    E nos animes todo mundo solta rainho.

    Besos!

  3. Ahhhh, era esse o filme q vc se referia! rsss
    tá em cartaz aqui no Br é?

    Cheguei a comentar contigo q tinha me impressionado o fato do filme ter ganhado o oscar? Não por desmerecimento, mas tipo… “nossa, eles entenderam o filme?”… Pq achei q mexe com mtos valores japas q são beeeeem diferentes no ocidente. Achei meio carregadpo de mensagens subliminares. E só pude entender alguns pq tava morando lá e participando de palestrinhas junto com japs.
    Um fato engraçado: logo depois do oscar, mostraram um crítico americano falando de algumas cenas e tal… E ele falava X e o autor do filme falava depois (para os japas) “mas nessa cena eu quis mostrar Y”.
    hehehe

  4. Menção honrosa às artes menores lá nas Estrovengas.

    Dá uma passadinha.

    Besos!

  5. Drama japonês é bem dramático mesmo, quando a NKH era aberta na minha tv eu assistia umas novelas de vez em quando (tinha uma de um diretor de escola que gosta de baiseboll). Não entendia nada, mas a música, as feições, a entonação geral era bem down, sem nenhum contraponto feliz, era triste e ponto final.

  6. Essa de ficar tentando entender roteiro e sei lá mais o que não é a minha praia…mas falando curto e grosso, o filme é muito bom, quem não se emocionou só pode ter dormido no cinema. Fui assistir por falta de opção, achei que ia dar uma boa cochilada no cinema mas fui pego de surpresa pela sensibilidade inusitada com que me deparei. Nosso “pré-conceito” sobre o cinema oriental torna difícil uma avaliação imparcial sobre certos aspectos dessa arte.


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