Hoje me lembrei desse vídeo ótimo do Ze Frank. (vejam, por favor!)
Tenho a maior empatia pela frustração do Ze Frank. Eu também sei o que é fazer um post e receber um comentário irritante. Isso porque, por trás da minha escrita aqui, existem alguns fatos:
Fato #1 Eu tenho mil coisas na cabeça o tempo todo. O TEMPO TODO. Qualquer coisa é estímulo pra eu pensar alguma coisa. Quase nunca eu penso por meio de linguagem verbal. Eu penso visualmente. Quando eu desenvolvo um pensamento verbal, é através de escrita e de conversa. Eu gosto de escrever, de caminhar por aí, de tirar fotos, de desenhar, de conversar, porque ajuda a desembaraçar meus pensamentos. Mas sou uma pessoa visual. E como é o que mais ocupa a minha cabeça, eu gosto de um silêncio. Bem, na verdade, é mais uma “não presença dos outros”, o que me leva ao
Fato #2 Eu tenho empatia. Se uma pessoa perto de mim está desconfortável, eu fico desconfortável. Se está irritada, eu fico irritada. Se está triste, eu fico triste. Tanto que sou capaz de me anular. Eu acabo somando às coisas que andam embaraçando meu pensamento outras tantas que sou completamente incapaz de resolver. É bom ser assim quando você encontra uma pessoa que também tem empatia pelos outros, assim, você não se sente mastigada e jogada fora. Pessoas assim não nascem em árvore.
Assim, quando eu vejo um filme, eu não estou dando uma de sabichona ao começar a falar de como identifiquei isso ou aquilo. Quando vejo um filme, eu vejo o filme, cada segundo, cada expressão: filme é visual, silencioso, plano. Acho ótimo pra me ajudar a organizar a cabeça. Sempre que depois de um filme eu tenho alguém com quem falar sobre ele, desenvolvo um monte de idéias verbais. Então filmes, obras de arte, caminhadas pelas ruas, pela praia, tudo isso me ajuda a organizar minha cabeça pra que, quando eu vá falar ou escrever, eu possa realmente externalizar o emaranhado da minha cabeça e ficar em paz. Sentir que faço parte do mundo. Se não faço isso, fica tudo dentro, sem que nada meu tenha contato com o de fora.
Pessoas já não te dão essa chance. E eu prefiro pessoas. Conviver com pessoas te dá instantaneamente essa sensação de estar completa: não ser só interior mas também exterior. O problema é achar pessoas que não entendam como eu funciono e acreditem que eu sou reservada e observadora porque:
#1 Sou esnobe
#2 Sou metida
#3 Minha vida é fácil e eu sempre tive tudo na boca, com colher de ouro
#4 Não sei o que é sofrer
#5 Não mereço o que tenho
#6 Complico demais a vida
#7 Penso demais
#8 Sou boring e certinha
#9 Sofro à toa
#10 Sou frágil
E coisa e tal.
Eu sei que tem gente que curte ficar de bobeira, vendo filme só pra ter pra onde olhar enquanto come pipoca. Tem gente que acha essencial ter razão. Tem gente que acha que só vai ser amado se for o melhor do mundo. Cada um no seu quadrado. Não acho bom nem ruim.
Eu só acredito que existem algumas pessoas que amam a gente pelo que a gente é, e ficam felizes que a gente insiste em ser a gente mesmo.
PS: Foi mal pelo gente gente gente. É meu anti-intelectualismo. (alarme de ironia, beep)