Quando eu tava pra nascer, o casamento dos meus pais já não ia bem. Minha mãe começou a ter problemas na gravidez, certamente influenciadas por isso. Acho que não era só a relação deles que não ia muito bem. Dizem que tem uma tal de síndrome do segundo filho, e aposto que ela não ajudou nada. Por fim, minha mãe foi aconselhada pelo médico a ir pro Rio, ficar com a minha avó e o resto da família dela.
Minha mãe se recusou a tomar um remédio meio experimental que seguraria as contrações. Como ela tinha placenta prévia, a situação era muito séria. Eu cresci achando que o perigo era que eu morresse, mas ela explicou que não, perigo corria era a vida dela. Pois minha mãe ficou numa cama, imóvel, por um mês. Se ela se movesse, eu nascia; nascia numa época perigosa da gestação, nascia com perigo de ela ter hemorragia. Então ela ficou quietinha, em pleno verão carioca, numa cama de hospital. Minha avó ficava do lado, minha tia corria pra cima e pra baixo pra arranjar material de tapeçaria pra minha mãe ter como se ocupar.
Minha mãe fez um monte desses tapetinhos, todos pensando em mim. Um mês antes de eu ir pro Rio me jogar nos meus sonhos, ela me veio com esse quadro:

Desculpem a bagunça e a granulação
É uma das tapeçarias que ela fez nessa época.
Bem, no fim de tudo, eu nasci, de cesária, bochechuda feito buda, e ficou tudo bem. Minha mãe foi toda costurada pro Circo Voador e ainda levou cantada. O show era do Eduardo Dusek. Ela tinha quase 24 anos.
Ontem eu estava aqui na casa dela (agora é assim, tem a minha casa, e tem a dela, aqui), vendo o que eu podia carregar comigo. Vi a batedeira elétrica que a gente tem desde sempre, falei que ia levar (já que é 110 mesmo).
“Pode levar. Leva! É sua mesmo. Seu pai me deu quando você nasceu, pra comemorar seu nascimento. Me deu a batedeira, uma secadora, e mais uma outra coisa. De presente por tudo que eu passei pra ter você.”
E você que está lendo pode achar que minha mãe é uma mulher amarga. Mas minha mãe é do tipo que passa isso tudo pra ter um filho e vai no show do Eduardo Dusek, no Circo Voador. Minha mãe é do tipo que ganha um presente desses do marido sem noção e passa minha infância toda fazendo bolo, doce, torta. Minha mãe é do tipo que passa por tudo isso e não desiste. E hoje ela namora um cara super legal, que sabe que nascimento de filho se comemora com beijo, e não com batedeira.
E meu pai casou com uma mulher maravilhosa, que se receber batedeira de presente, manda ele tomar no cú.
E tá todo mundo feliz. Inclusive eu, que adoro cozinhar e agora tenho uma batedeira.
Eu já adoro a sua mãe. Queria conhecer ela.
Ou uma torta de limão? (se bem q não precisa da batedeira ahahaha. XD
Vc tem BATEDEIRAAAA! Vamos fazer do limão um bolo de limão?
Esse negócio de casa da mãe é engraçado. Foi difícil eu me acostumar a chamar a casa da minha mãe assim, mas agora não consigo mais chamar de “minha casa”. Fiquei assim meio homeless. :/ Heheh.
Homem > gravidez > batedeira = Baru.
Equação doida, sô.
Bueno, deu nessa narrativa maviosa.
Besos!
haha
somente uma típica família brasileira ..:)
bjao
LuRussa
História engraçada e bonita!
sua mãe eh uma heroina…manda um bjo pra ela ^^
Fantástico!!!
Fiquei sem palavras.
Eu conheço bem os personagens.
E o Rupens é o único que conseguiu colocar sua mãe e a mulher do seu pai contra ele.