Brilho eterno

Porque, porque porque meu deus aquele filme não era um documentário.

Eu juro que ia correndo atrás da máquina que ajuda a esquecer.

Ou então uma máquina que me fizesse ser uma menina normal.

Ou então que eu não tivesse memória nenhuma, de nada.

Ou então que eu fosse budista; na próxima encarnação eu merecia voltar como um peixinho dourado. Uma vida nova a cada 3 segundos.

(insira aqui seu palavrão preferido)

Publicado em:  on Agosto 23, 2009 at 1:38 am Comentários (2)
Tags:

Mulher sente amor romântico?

Eu adoro farofa, e música farofa também, claro. Ultimamente a minha farofada musical preferida tem sido a Katy Perry.

Katy começou como artista mirim, cantava músicas gospel. Cresceu na estrada, deve ter amadurecido cedo. A impressão que eu tenho é que ela é do tipo que diz, fuck this shit, agora meu nome é Zé Pequeno!
(sabe, uma pessoa que descobre que pode se reinventar pra ser o que ela se sente mais confortável em ser)

Foi assim que ela escreveu músicas que viraram hinos das baguettes (female douche bags), como “I kissed a girl” e “You’re so gay”.

Bem, como tudo me motiva a pensar, eu ando pensando muito nessa música dela chamada Mannequin. Vou postar um vídeo dela cantando a tal música só no voz e violão, pra vocês não comprometerem seus gostos musicais com a produção farofa da versão do álbum:

Bem, vamos ao que eu pensei com essa música. A letra fala de uma menina que quer conquistar um rapazote e não sabe como. Não é uma menina tímida, é alguém pra quem normalmente “breaking down a man is no workout”. Não é uma menina esperando que um cara a note. Não tem aquela parada de fazer um makeover pra ficar do jeito que o cara gosta. É alguém que se sente impotente frente ao objeto de desejo (I’m such a fool, this one’s out of my hands, I can’t put you back together again).

Aliás a frustração é o centro da música. Ela reclama que o cara não demonstra sentimentos, e por isso, é um boneco. Ela faz referências à história do Pinóquio (I keep knocking on wood hoping there’s a real boy inside / You’re not a man, you’re just a toy, could you ever be a real, real boy?”). Na frustração ela tenta argumentar que pode salvá-lo (If the past is the problem my future could solve it/ I could bring you to life if you let me inside). Diz que pode dar a ele uma recompensa, que não é sexo, não é ter uma namorada bonita, nem um troféu: é ser uma versão melhor dele mesmo – segundo os parâmetros que ela define na letra, ser um homem com sentimentos é melhor do que ser um objeto inanimado que só tem forma de homem (It will hurt but in the end, you’ll be a man.)

Então fiquei pensando. Quem é que se sente frustrado frente ao objeto de desejo? Quem argumenta poder salvar, fazer do objeto de desejo uma versão completa de si, melhor? Me lembrou muito uma coisa meio de príncipe encantado. Essa coisa de “vou te fazer mulher”, de se apaixonar por alguém vulnerável e prometer cuidar, nutrir, sem nenhuma referência à um cuidado maternal. Amor romântico.

Tentei lembrar de alguma música em que uma mulher expressasse isso. Só consegui pensar em músicas em que a mulher fica frustrada que o cara não vem atrás dela, numa forma de perseguição passiva. Outras, em que ela exige respeito, poder, mas se limita a impor condições para ser cortejada. Alguém aí pode me contradizer? Fiquei meio chateada.

Bem, mas é uma das razões de eu gostar muito da Katy Perry. Gosto de gente que não fica arranjando desculpas, que tem medo do “outro”. Na verdade, o que a Katy parece falar é que gostaria de um igual. Afinal, a lógica parece ser, se ele sentir emoções, poderá reconhecê-las. Me parece ser o essencial.

Os burgueses de calais, o met, segunda noite de insônia

Estou aqui na minha segunda noite de insônia. Bem quando finalmente acabou meu writer’s block e I was on a roll, on fire e tudo mais, escrevendo de montão. Ontem fiquei insone e impraticável de manhã: de noite bateu uma ventania sinistra e o papel que eu colei na janela pra me proteger da vizinha exibicionista ficou batendo tatatatatattatatatatatatatata a noite toda. TODA. E quando eu resolvi tomar um remédio pra dormir resolveram resumir os trabalhos numa obra aqui por perto. Ah, uma não, tem umas 3 ou 4. Eu fui dormir mais cedo novamente, e aí acordo 1h depois com uma cólica monstruosa. Resolvi tomar mais alguns remédios e, como essa merda não faz efeito instantâneo, estou aqui. Assim que abri meu computador, dei de cara com essa foto que coloquei de papel de parede:

Les Bourgeois de Calais, de Rodin, no MET

Les Bourgeois de Calais, de Rodin, no MET

Na hora comecei a pensar:

Esse cara tá com cólica. Olha a cara. Olha a posição da mão. Eu queria ter uma corda pra ficar torcendo assim. O cara de trás tb tá com dor. É, é um desespero

Esse camarada tá com cólica. Olha a cara. Olha a posição da mão. Eu queria ter uma corda pra ficar torcendo assim. O cara de trás tb tá com dor. É, é um desespero

Essa também sabe o que eu tou sentindo.

Essa também sabe o que eu tou sentindo.

Essa também. Está pronta pra pular do precipício. Se eu pudesse eu pulava também. Que lindo, a arte imita a vida!

Essa também. Está pronta pra pular do precipício. Se eu pudesse eu pulava também. Que lindo, a arte imita a vida!

Eu tenho pena da menininha. Ela vai ter cólica um dia. :(

Eu tenho pena da menininha. Ela vai ter cólica um dia. :(

Esse filho da puta nunca vai ter cólica. Lucky son of a bitch.

Esse filho da puta nunca vai ter cólica. Lucky son of a bitch.

Essa foto eu tirei no Metropolitan Museum em Nova Iorque. Estou com raiva do enquadramento. Eu fiquei com medo de acharem que eu era uma pervertida tirando foto das quiança. Era muito fofinho elas em volta dessa escultura, desenhando. Aliás essa escultura é muito legal, a história que inspirou ela, mais legal ainda. Mas eu não vou contar, estou a um segundo de mandar vocês tomarem naquele lugar. Yeah, fuck you bitch, I gots mentrual cramps.

Eu tou vendo Chapelle Show demais.

Publicado em:  on Agosto 19, 2009 at 12:52 am Comentários (7)
Tags: , , ,

Ver o Dave Chapelle Show faz isso com a minha mente

Agora a memória do evento é assim:

Menina ruiva no bar de motoqueiros – Oi, minha namorada foi no banheiro, a cerveja vai esquentar, você não quer tomar não?
Eu – Noooooo bitch nooooooooo! WTF!

PS: continuo aquela história da viagem depois.

Publicado em:  on Agosto 16, 2009 at 5:58 pm Comentários (2)
Tags:

Medos

“The man who goes alone can start today; but he who travels with another must wait till that other is ready.” Henry David Thoreau (American Essayist, Poet and Philosopher, 1817-1862)

Tenho muito medo de ter que esperar uma outra pessoa estar preparada para fazer qualquer coisa, o resto da minha vida.

Publicado em:  on Agosto 14, 2009 at 9:44 am Comentários (4)
Tags:

Propósitos da Viagem 2

A memória mais antiga que me vem à mente de minha mãe me lendo uma história é de estar no quarto, na Savana, muito admirada da história do Touro Ferninando. Era um livro de origem espanhola. Minha mãe nasceu na Espanha e sempre gostou de mostrar pra gente um pouco da cultura de lá. Fora a comida, (tortillas, etc) a espanha pra mim era aquela coisa do Touro Ferdinando. Ele era um touro muito dócil, adorava ficar cheirando as flores, não servia pra tourada. Até que um dia ele foi picado por uma abelha e ficou muito bravo. Depois que a dor passou, ele voltou ao normal.

(mais…)

Publicado em:  on Agosto 13, 2009 at 9:28 pm Deixe um comentário
Tags:

Propósitos da viagem

Estou aqui dispersa, é melhor fazer algo construtivo.

Quando eu estava estudando pra conseguir meu diploma em inglês foi mal eu sou foda, reconhecido pelo governo britânico (o que tornaria ele algo do tipo diploma in make me a sammich bitch na Obamaland) eu costumava ouvir podcasts e coisas do gênero enquanto caminhada. Não era de propósito, eu sou nerd mesmo. Cansada de ouvir as mesmas coisas, descobri o librivox, um site que aspira ser como um projeto gutemberg, ou seja, promover a disseminação de livros de domínio público. Aqui no Brasil temos o dominio público, é muito, muito legal.

A diferença do Librivox é que os livros estão arquivados em áudio. Voluntários se organizam e publicam volumes e mais volumes de livros em diversas línguas, todos em domínio público. O que mais me agradou nesse projeto foi poder ouvir os sotaques mais diversos combinados na leitura de livros clássicos. Eu peguei inclusive alguns textos em português, contos pequenos de Machado de Assis. Achei maravilhoso ouvir essas histórias na voz de um pernambucano e de uma portuguesa.

Eu não sei vocês, mas eu adorava que minha mãe lesse pra mim quando eu era criança. Até hoje, desconfio que a voz que soa na minha cabeça (ou pelo menos a cadência, não sei), é a da minha mãe. É muito engraçado ter alguém narrando a história pra você.

Uma dessas histórias em especial me marcou muito. Em primeiro lugar, eu me identifiquei muito com os personagens principais. Também me identifico muito com o autor. Finalmente, achei interessante a voz de um dos voluntários. Foi bem triste descobrir que ele era gay. Eu juro que tava considerando ir pra Inglaterra me declarar, só pra forçar ele a ler pra mim toda noite.

Eu citei essa história no post anterior: An International Episode, de Henry James. Você pode ouvir a versão Librivox aqui e praticar pro seu exame Cambridge. Eu desconfio que consegui minha nota A graças às caminhadas diárias com podcasts.

Bem, agora tive a idéia de 4 posts: sobre minha mãe contadora de histórias, sobre a história do livro, sobre o Henry James, sobre a voz do arquivo. E eu comecei falando de própósitos da viagem, o post acabou e não vem viagem nem propósito. Quer dizer, tudo vai fazer mais sentido na parte final do post.

Sim, meme de novo, shut up

Here are the rules: Don’t take too long to think about it. Fifteen books you’ve read that will always stick with you. They don’t have to be the greatest books you’ve ever read, just the ones that stick with you. First fifteen you can recall in no more than 15 minutes.

Vi isso num blog por aí (na verdade, um Tumblr). Estou postando porque queria que vocês leitores também fizessem suas listas. Estou incluindo alguns da minha infância também. (Só pra imitar mais o post original)

1. A Room of One’s own – Virginia Woolf

2. White Teeth – Zadie Smith

3. On Beauty – Zadie Smith

4. The Beggining of Spring – Penelope Fitzgerald

5. A Bolsa Amarela – Lígia Bojunga

6. An Essay on Typography – Eric Gill

7. Medo e Submissão – Amélie Nothomb

8. Chasing the Perfect – Natalia Ilyin

9. Odisséia – Homero

10. Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde – Robert Louis Stevenson

11. An International Episode – Henry James (esse é só um conto, eu tinha escrito o nome errado. Ouvi pelo Librivox)

12. Frankenstein – Mary Shelley

13. The Country of the Blind and other selected stories – H.G. Wells

14.  The Island of Doctor Moreau – H.G. Wells

15. The Kite – Somerset Maugham

Sim, eu leio mais coisa em inglês do que em português, sue me.

http://lemonsugar.tumblr.com/post/160396539/here-are-the-rules-dont-take-too-long-to-think-about

Trocadalhos

Comecei a ouvir uma cantora australiana chamada Kate Miller-Heidke. Achei ela bem do tipo “there’s more than meets the eye”. Sua música é super pop chiclete dançante, bem como está meu gosto por agora. Além da música fantárdiga sobre o facebook, tem os trocadilhos bobinhos mas que eu achei geniais (bem típico meu isso) da “Just can’t shake it”.

Just can’t shake it pode ser, literalmente, não posso sacudir, mas também é usado pra falar de algo que você não consegue esquecer ou superar. Tipo, um sentimento que você não consegue deixar pra lá e te persegue, fica te amolando.

Exemplo: “I can’t give up what I’m in love with. I guess I’m a mess and I just can’t shake it. I just can’t change what I am.” (De alguma música aí, achei bem auto-explicativo)

Na música da Kate, ela usa o sentido literal, mas o figurativo também. Porque será que humor do tipo “rir-de-si-mesmo” é tão mais legal? O bom mesmo é quando os outros entendem que esse tipo de humor não é um convite à jogação de pedra. Quem ri de si mesmo sabe que no fim das contas, a gente não pode se levar muito a sério, e isso não tem nada a ver com respeito próprio, pelo contrário.

Ah, Just Can’t Shake It é sobre uma menina que não sabe dançar. A parte que mais me faz rir é quando ela diz, “The perpetrator lies between my back and my thighs”, seguida de “I execute the moonwalk like I stepped in shit”.

Can’t Shake It lyrics

When We Go Out Dancing on a Friday Night
I Get This Funny Feeling Something’s Not Quite Right
My Sense Of Rhythm isn’t controvertibly shite; I Can’t Fake It.
I can see the pity in your big brown eyes,
The perpetrator lies between my back and my thighs.
It doesn’t wanna wiggle though I try, try, try; I Can’t Make It.

(X2) I Get The Feeling that I look absurd

And It Hurts!

[Chorus]
I Just Can’t Shake It, Shake It, Shake It
Oh No I Just Cant Shake It, Shake It
{Oh!}
I Just Can’t Shake It, Shake It, Shake It
Oh No I Just Cant Shake It, Shake It
{Oh!}

Couldn’t Walk The Line Inside The Country Scene,
And Disco Was A Flat Up; Sure No Dancing Queen.
Couldn’t really qualify for break-dancing; I just break it.
Tried moving my body to the latest hit,
Someone called the nurse; thought I was having a fit.
I execute the moonwalk like I stepped in shit,
I can’t take it.

(X2) I Get The Feeling that I look absurd

Bonus: a música do facebook.

Publicado em:  on Agosto 7, 2009 at 2:11 pm Comentários (2)
Tags:

Ufa

Depois de um carinho da progenitora que veio visitar, algumas horas de mulherzice patrocinadas pelo senhor Tyler Perry e um descanso da lavação de louça suja, estou respirando melhor. Algumas pílulas:


Janelas sincronizadas

Eu a a vizinha agora temos um acordo não pronunciado: eu abro a minha janela, ela fecha a dela; ela abre a dela, eu fecho a minha. Assim ninguém precisa ser lembrada porquê mesmo não daríamos certo como lésbicas.

Visitas estranhas
Ainda bem que só no blog : gente anda chegando aqui procurando “martha medeiros encoxada”. Se eu fosse ela, pedia ajuda pra polícia. Outras: “os menores bois do mundo”, “pessoas com a boca suja de feijÃo”. Vocês são tudo maluco.

Young gay gay
Minha lista do last.fm tá toda GLS depois que a Eri me levou pra balada.

Publicado em:  on at 1:55 pm Comentários (2)
Tags: ,