Mulher sente amor romântico?

Eu adoro farofa, e música farofa também, claro. Ultimamente a minha farofada musical preferida tem sido a Katy Perry.

Katy começou como artista mirim, cantava músicas gospel. Cresceu na estrada, deve ter amadurecido cedo. A impressão que eu tenho é que ela é do tipo que diz, fuck this shit, agora meu nome é Zé Pequeno!
(sabe, uma pessoa que descobre que pode se reinventar pra ser o que ela se sente mais confortável em ser)

Foi assim que ela escreveu músicas que viraram hinos das baguettes (female douche bags), como “I kissed a girl” e “You’re so gay”.

Bem, como tudo me motiva a pensar, eu ando pensando muito nessa música dela chamada Mannequin. Vou postar um vídeo dela cantando a tal música só no voz e violão, pra vocês não comprometerem seus gostos musicais com a produção farofa da versão do álbum:

Bem, vamos ao que eu pensei com essa música. A letra fala de uma menina que quer conquistar um rapazote e não sabe como. Não é uma menina tímida, é alguém pra quem normalmente “breaking down a man is no workout”. Não é uma menina esperando que um cara a note. Não tem aquela parada de fazer um makeover pra ficar do jeito que o cara gosta. É alguém que se sente impotente frente ao objeto de desejo (I’m such a fool, this one’s out of my hands, I can’t put you back together again).

Aliás a frustração é o centro da música. Ela reclama que o cara não demonstra sentimentos, e por isso, é um boneco. Ela faz referências à história do Pinóquio (I keep knocking on wood hoping there’s a real boy inside / You’re not a man, you’re just a toy, could you ever be a real, real boy?”). Na frustração ela tenta argumentar que pode salvá-lo (If the past is the problem my future could solve it/ I could bring you to life if you let me inside). Diz que pode dar a ele uma recompensa, que não é sexo, não é ter uma namorada bonita, nem um troféu: é ser uma versão melhor dele mesmo – segundo os parâmetros que ela define na letra, ser um homem com sentimentos é melhor do que ser um objeto inanimado que só tem forma de homem (It will hurt but in the end, you’ll be a man.)

Então fiquei pensando. Quem é que se sente frustrado frente ao objeto de desejo? Quem argumenta poder salvar, fazer do objeto de desejo uma versão completa de si, melhor? Me lembrou muito uma coisa meio de príncipe encantado. Essa coisa de “vou te fazer mulher”, de se apaixonar por alguém vulnerável e prometer cuidar, nutrir, sem nenhuma referência à um cuidado maternal. Amor romântico.

Tentei lembrar de alguma música em que uma mulher expressasse isso. Só consegui pensar em músicas em que a mulher fica frustrada que o cara não vem atrás dela, numa forma de perseguição passiva. Outras, em que ela exige respeito, poder, mas se limita a impor condições para ser cortejada. Alguém aí pode me contradizer? Fiquei meio chateada.

Bem, mas é uma das razões de eu gostar muito da Katy Perry. Gosto de gente que não fica arranjando desculpas, que tem medo do “outro”. Na verdade, o que a Katy parece falar é que gostaria de um igual. Afinal, a lógica parece ser, se ele sentir emoções, poderá reconhecê-las. Me parece ser o essencial.

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5 Comentários Leave a comment.

  1. Nunca, nunca imaginei que Katy Perry desse mais de duas linhas, quanto mais 5 paragrafos!

    E bem sacados. Eu tambem gosto de bublegum (ou farofa).

    A trilha do Grey’s Anatomy, apesar de pop-urbana-happy-end, tem um pouco desse tom. E curto adoidado.

    Massa, Barubara.

  2. Sorry, 9 paragrafos.

    • caraca, nove?! eu tou me superando :/

  3. humm…sei lá, vc precisa de um megadeth.

  4. A exemplo do corsário tbm fiquei impressionado com os 9 parágrafos.


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