Eu, menina do campo Barulesca aqui, tinha sido acordada por um uivo canino e perdido o sono. Fiquei vendo Jtv e rindo de seriados ingleses bobos, e vez por outra rolava um som estranho. Lá pelas 3 da manhã eu começo a ouvir um barulho metálico estranho, e então um gemido fantasmagórico.
Na hora eu lembrei de um caso que ocorreu há uns 5 anos, talvez mais. Eu estava fazendo fisioterapia por conta de uma tendinite (na verdade, tenossinovite, coisa que todo designer tem), e me largaram numa cabine com um aparelho que emite choques elétricos ainda ligado ao meu braço. Estava lá eu, numa cabine de 1×1,5 m, dentro de uma sala maior com infinitas outras cabines. O profissionalíssimo funcionário da clínica, dito fisioterapeuta, havia me instruído a gritar quando o aparelho parasse de funcionar. Eu já me sentia ridícula o suficiente com aqueles choquinhos no braço. Eles passam uma geleca em você, grudam os eletrodos, dizem, “quando parar, grita”, e te fecham naquela cabinezinha. Era só eu lá, olhando pro pano que me separava do mundo lá fora. Silêncio sepulcral. Eu, campesina, esboço minha capacidade de seguir instruções tão profissionais:
Baru Campesina: ….oi?
Eis que uma voz descarnada se faz ressoar. Na hora eu lembrei daquele conto do Edgar Allan Poe, “O gato negro”.
Voz descarnada: OOOOOOOOOOOOi…
Claro que eu fiquei em silêncio. CLARO. Vou acelerar a história pra parar com esse flashback do flashback. No final, a voz descarnada era a de uma velhinha que estava em fisioterapia por conta de problemas neurológicos. Sabe-se lá porquê ela resolveu me responder, talvez fosse uma vitória pessoal para ela, mas me deu um cagaço do caramba, velha safada.
E então, eu aqui, me divertindo, me senti culpada ao ouvir uma voz fantasmagórica. Tem uma casa de repouso na vila, bem em frente à minha janela, e aquele gemido poderia ser uma velhinha morrendo. Começou a me dar agonia. Parei pra pensar que não tenho que me preocupar nada, é uma casa de repouso, tem um monte de gente qualificada pra atender a velhinha. Alias, ou a velhinha tava morrendo, ou era petit mort.
Fiquei me sentinto culpada de novo por fazer piada da velhinha, mesmo que tenha sido só no twitter. (A frase ficou engraçada, merecia um tweet)
Aì abaixei o som e fiquei escutando. Não, não podia ser petit mort. Era alguém morrendo. Faltando ar. E então…
“Ai mãe, ai mãe ai…AI AMOR”
Hahaha que lindo, flagrante delicto auditivo. Essa vila é uma coisa, vou te contar. Não acredito que parei tudo que eu tava fazendo pra dar uma de peeping tom.
ROTFL !
HAHAHAAHAHAHHAAHHHAAHAHHAAHHAAHAH
Quedê câmera digital com uber zoom nessas horas?? hein, hein??
A minha está sempre pronta
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Baruchan, cara, ainda me espanto com sua tamanha inocência… ôooo toisinha! rssss
Hahaha, passei por isso aqui também! Foi no vizinho da frente. Eu com o ouvido na porta (na minha porta, não na do vizinho) tentando descobrir o que era, até que tudo se esclareceu de repente. =P