Muito engraçado ver esse post no blog da Erica. Lembro de estar acompanhando esse seriado na época da viagem pra Obamaland e, quando cheguei na Times Square, ver outdoors digitais com propragandas dele.
Saudade do seriado, queria poder acompanhá-lo, mas a Vivo não deixa!
Eu tinha vergonhazinha de gostar de John Mayer, até que um dia minha mãe, fã número uno, de comprar dvd ao vivo dele e assistir bebendo vinho e gritar “GATIIINHOOO Ô LÁ EM CASA”, me disse que se não fosse eu, nunca tinha conhecido o gajo.
E eu jurando pra mim mesma que era meu irmão o viciado, afinal, foi ele quem me apresentou o Mayer (via um vício messiânico por Dave Mathews Band). Nos primeiros discos, eu o achava um horror, porque era muito óbvio que ele tinha a mesma relação Jorge Vercilo*/Djavan, só que com o Dave Mathews. E pior, fazendo Dave Mathews pra tweens. Mas quem é criada por alguém como a minha mãe**, fica difícil não ficar de joelho mole com aquelas melodias de guitarra.
Além do mais, com letras como 3×5 (3×5 inches o formato padrão das fotografias), eu me deixo levar pelo pensamento “he knows how I feeeeel”, que é tão, tão, tão perigoso pra mim. 10 out of 10 times this line of thought has left me on my knees. E preciso de meses pra me recuperar. (Pelo menos eu me recupero! ) Pelo menos o Mayer permanece num plano platônicamente saudável.
Eis a letra de 3×5, que ouvi com um pouco mais de atenção outro dia, esperando o sinal abrir pra eu chegar em casa (atravessando o sinal, vc dá de cara com o portão do meu prédio). Fala de alguém que não quer mais ficar tirando foto da vida, quer ter experiências dos lugares por onde passa e olha. Me sinto muito assim: “Today I finally overcame tryin’ to fit the world inside a picture frame”. Divago…eis a letra:
3×5 (John Mayer)
I’m writing you to
catch you up on places I’ve been
And you have this letter
You probably got excited, but there’s nothing else inside it
Didn’t have a camera by my side this time
hoping I would see the world through both my eyes
maybe I will tell you all about it when
I’m in the mood to lose my way with words
Today skies are painted colors of a cowboy cliche’
And its strange how clouds that look like mountains in the sky
are next to mountains anyway
Didn’t have a camera by my side this time
Hoping I would see the world through both my eyes
Maybe I will tell you all about it when
I’m in the mood to lose my way
but let me say
You should have seen that sunrise with your own eyes
It brought me back to life
You’ll be with me next time I go outside
No more 3×5’s
I Guess you had to be there
I Guess you had to be with me
Today I finally overcame
tryin’ to fit the world inside a picture frame
Maybe I will tell you all about it when I’m in the mood to
lose my way but let me say
You should have seen that sunrise with your own eyes
it brought me back to life
You’ll be with me next time I go outside
no more 3×5’s
just no more 3×5’s
* Eu tinha esquecido o nome dele, mas joguei no google “homem aranha djavan” e apareceu esse link.
** Minha mãe adora guitarras, e quando eu era criança, me botou de castigo trancada na sala de casa ouvindo 5150 do Van Halen até aprender a não ficar pedindo aquelas coletâneas de dance music tão comuns nos anos 90.
Eu não sei se posso dizer que sou fã do Tarantino. Não gosto de todos os filmes dele. Acho que o que sinto é uma certa simpatia. Mas a cada novo lançamento, estou começando a virar tiete.
Primeiro com Kill Bill. Não gostei muito do primeiro. Achei as referências ao Japão muito chatas, devo ter passado da fase. Também deve ser porque depois que o que eu gosto vira moda, eu passo a achar que não tem mais graça (viu Juju). Mas adoro o segundo. Adoro as referências aos filmes de Kung Fu que a gente via na casa da Mana, graças à uma rede de inteligência que sempre dava um jeito de descobrir locadoras e que contrabandeava fitas cassetes. Na época do cd rom e do computador, a coisa começou a perder a graça. E aí o Jackie Chan foi pra Hollywood e começou a fazer papel de Didi Mocó. I digress! O caso é que, no Kill Bill 2, pude ter a sensação de ver aqueles filmes de novo. E tem uma mistura com um tipo de Western. Melhor ainda, Spaguetti Western!
Recentemente, depois que vi There Will be Blood e 3:10 to Yuma, comecei a ter uma certa quedinha por westerns. O motivo principal é pelas cenas em widescreen, e as cores ocre, que sempre me dão a sensação de exagerar o conflito ser humano x mundo. O mundo é hostil, as poucas pessoas na tela são hostis, e no final, você tem a possibilidade de ver os personagens guiando a narrativa, meu jeito preferido de contar/ouvir histórias. Filmes assim só dão certo com um time muito bom, tudo tem que ser muito bem orquestrado: os atores, a fotografia, o som, a trilha sonora, a edição… Assim, eu sempre associo um filme/livro/seriado (ou o que quer que seja) character-based a uma narrativa que explora o meio como linguagem.
E um Spaguetti Western, não que eu seja uma especialista nem nada, é inevitavelmente baseado na estrutura de linguagem do western. Para um americano, o western acaba sendo algo que pode ser estudado pela sociologia. No começo, os índios eram os bandidos, e os cowboys, mocinhos. Ao passo que a postura da sociedade em relação à sua história muda, os westerns também mudam – principalmente os roteiros. Mas na Itália não haviam índios e cowboys. Existem tensões sociais parecidas, como também existem no Brasil (cangaço, anyone?). Um Spaguetti Western é criado quando se tem o Western como um gênero cinematográfico mais do que um registro da imagem de uma tensão social dentro de uma dada cultura. Assim, os clichés, as marcas, a estrutura e o formato contribuem para uma linguagem, um mundo particular de coerência interna. Uma experiência cinematográfica.
E assim eu vejo a lógica dos filmes do Tarantino. Deve ter muito a ver com o fato de ele ser, basicamente, auto-didata. Mas em Inglorious Besterds, ele mostra que amadureceu muito. Eu comecei a rir já nos primeiros minutos, e continuei a rir bem depois de haverem acabado os créditos. Alias, fui rindo ao banheiro, fui rindo pegar o onibus pra casa, fui rindo ao supermercado, e ri até chegar em casa. Eu queria ter saído do cinema e encontrado o Tarantino pra beber uma cerveja e ficar comentando o filme. Aposto que ele já fez muito isso, deve estar de saco cheio. Mas esse é um dos filmes que eu preciso ter em DVD.
Há uns 5 anos (mais ou menos) o Rubens me apresentou ao Ze Frank. Durante 2006 eu fiquei viciada no “The Show”, um programa praticamente diario (ele parava nos fins de semana) que Ze fez sozinho durante exatamente 365 dias (give and take).
Olha que ótima jornalista eu sou, que escrita informativa. Tudo graças ao meu diploma. (Alarme de sarcasmo, eu sou formada em Desenho Industrial)
Sim, mas agora dei de cara com um projeto novo do Ze, mas olha que chique. É tipo o “The Show”, mas condensado e… está no site da Time. Uma bela limonada.
Caras como Ze, engraçados, esforçados, criativos, inteligentes e sensíveis. Ok, entidade sobrenatural que sabe tudo? Manda tipo um desses pra mim. Chega de malucos. Eu sei que eu fui taxista na vida passada, mas já chega de malucos.
Madison Square Garden worker: Sir… Sir! Sir, where the hell do you think you’re going? Man, with five-year-old kid: I’m gettin’ in the line for the bathroom. Madison Square Garden worker: Sir, it looks to me like you’re trying to get into the ladies bathroom. Man: But I got a kid! Madison Square Garden worker: Did you give birth to your kid? Man: No! Madison Square Garden worker: Then it looks to me like you’re in the wrong fuckin line.
Sexta, depois de passar o dia na correria acertando as coisas do meu apartamento, eu terminei o dia na Lapa.
Calma! Na Sala Cecília Meireles.
As luzes se apagaram e adentrou o palco uma moça jovem, com um vestido que seria muito brega, mas que por algum motivo, parecia cinematográfico. Sem mais delongas, ela começou seu solo. O rosto perfeitamente plácido, o corpo dançando, o violino cheio de vigor.
Hilary Hahn tocava como se não fosse nada! Uma auto confiança nada arrogante. Seria tão fácil ser arrogante! E nem ao menos humilde ela é. Não há sacrifício ou sofrimento. Só música sincera, uma franqueza auto-confiante obamalandiana que é uma das coisas que eu mais admiro naquela terra.
E olha que ela reclama que sempre confundem ela por norueguesa.
Auto-confiança Franca em ação:
Hilary tocando a Chaccone, minha preferida Ela substitui a dor cortante por uma dor suave. Não sei se é bom, mas prefiro assim.
O filme que o Nei falou é exatamente o que eu vi e que me deixou toda engasgada. Ouvi soluços desconcertantes no cinema. Chama-se “A Partida” (eu cismei que era “A Passagem”) e ganhou Oscar. Na hora de receber o prêmio o diretor (eu acho) fez a gracinha de dizer “domo arigato mr. roboto”, que nem na música.
Eu adorei o filme. Ao sair, minha tia já foi falando que odiou, achou piegas. Realmente, ele começa com um humor negro e lá pelo meio fica mais sentimental. A trilha sonora é meio comercial de margarina. Segundo minha tia, parecia enlatado pra fazer americano chorar.
Mas eu contei pra ela que tinha visto outras coisas no filme. Fiquei uns 5 minutos explicando. Talvez mais. No final, ela me olhou com um sorrizinho que eu identifico como “que fofinha minha sobrinha”, e eu imaginei que tivesse falado algo poliana, deixei pra lá.
Hoje ela me disse que foi atrás de várias críticas sobre esse filme e nenhuma falava das coisas que eu interpretei. Então eu fui falando que eu tinha identificado coisas de fenomenologia, sinestesia, semiótica plástica. Coisas sobre as quais li durante o mestrado mas que pra minha orientadora eu não tinha a menor autonomia pra falar. (E não tenho mesmo). Eu penso muito essas coisas mas como acho que ou é banal demais e todo mundo vê isso, ou ninguém vê e é idiotice mesmo, só falo delas com essa minha tia. Ela faz essa cara de “bobrinha fofinha”, mas pelo menos gosta de bater uma bolinha filosófica. Segundo ela, eu devia escrever o que falei, porque estava muito bom.
Acho que vou começar sim, mas não vou publicar aqui. Vou tentar me levar mais a sério e escrever em forma de artigo. Tudo isso porque o Rio de Janeiro é lindo, mas em São Paulo tem comida étnica maravilhosa. (E se…eu tentasse ir pra SP?Plano a longo prazo, mas mais realista que ir pro exterior.)
Só pra reforçar meu ponto quando falei da Ella Fitzgerald há uns posts atrás. Reparem o que ela faz com a música “September Song”. Primeiro, como a música é cantada por Frank Sinatra e Bing Crosby: