O repeteco

Vi “Dança com Lobos hoje”, e não passou na regra dos 15 anos. Terei eu ficado cínica demais?

Pareceu muito velho. MUITO. Que mundo era aquele que criou “Dança com Lobos”?

Não parece o mesmo mundo que criou “Inglorious Basterds”. Esse que vi e revi depois de ter 15 anos. Tinha menos de 15 anos quando vi Pulp Fiction, sem gostar. Será que hoje eu gostaria? Acho que revi depois dos 15, e não gostei.

Aos 13 eu chorei vendo “Cinema Paradiso”. Chorei que funguei e saiu meleca e foi aquele drama. Por anos continuava chorando ao ver “Cinema Paradiso”. Chorava só de ouvir os violininhos. Agora acho o Toto um belo de um f¨lha da p*ta. (Não é auto-censura, é pra evitar o search engine).

Eu lembro quando era criança e ia ao cinema com minha mãe, ela sempre parecia ter um acesso privilegiado à narrativa. Ela sabia explicar tudo do filme! Sabia coisas que ainda iam acontecer. Eu nunca tinha percebido que acabei passando anos com a sensação que existiam pessoas com um acesso privilegiado às coisas da vida.

Hoje em dia parece mais que tá todo mundo criando seu mundinho particular, e ninguém vive no meu mundo. Os meus problemas são só meus mesmo.

Em Dança com Lobos, tinha sempre um índio muito sabido.

No meu mundo não tem mais índio sabido nenhum.

O meu mundo tá mais pra cada um por si, acreditando na narrativa particular de cada um, as vezes se unindo a outros com objetivos diferentes mas um gosto especial pela sensação de estar vivo.

No meu mundo sou só mais um Inglorious Basterd.

Arrivederci.

“Below the belt”: Inglorious Besterds

Eu não sei se posso dizer que sou fã do Tarantino. Não gosto de todos os filmes dele. Acho que o que sinto é uma certa simpatia. Mas a cada novo lançamento, estou começando a virar tiete.

Primeiro com Kill Bill. Não gostei muito do primeiro. Achei as referências ao Japão muito chatas, devo ter passado da fase. Também deve ser porque depois que o que eu gosto vira moda, eu passo a achar que não tem mais graça (viu Juju). Mas adoro o segundo. Adoro as referências aos filmes de Kung Fu que a gente via na casa da Mana, graças à uma rede de inteligência que sempre dava um jeito de descobrir locadoras e que contrabandeava fitas cassetes. Na época do cd rom e do computador, a coisa começou a perder a graça. E aí o Jackie Chan foi pra Hollywood e começou a fazer papel de Didi Mocó. I digress! O caso é que, no Kill Bill 2, pude ter a sensação de ver aqueles filmes de novo. E tem uma mistura com um tipo de Western. Melhor ainda, Spaguetti Western!

Recentemente, depois que vi There Will be Blood e 3:10 to Yuma, comecei a ter uma certa quedinha por westerns. O motivo principal é pelas cenas em widescreen, e as cores ocre, que sempre me dão a sensação de exagerar o conflito ser humano x mundo. O mundo é hostil, as poucas pessoas na tela são hostis, e no final, você tem a possibilidade de ver os personagens guiando a narrativa, meu jeito preferido de contar/ouvir histórias. Filmes assim só dão certo com um time muito bom, tudo tem que ser muito bem orquestrado: os atores, a fotografia, o som, a trilha sonora, a edição… Assim, eu sempre associo um filme/livro/seriado (ou o que quer que seja) character-based a uma narrativa que explora o meio como linguagem.

E um Spaguetti Western, não que eu seja uma especialista nem nada, é inevitavelmente baseado na estrutura de linguagem do western. Para um americano, o western acaba sendo algo que pode ser estudado pela sociologia. No começo, os índios eram os bandidos, e os cowboys, mocinhos. Ao passo que a postura da sociedade em relação à sua história muda, os westerns também mudam – principalmente os roteiros. Mas na Itália não haviam índios e cowboys. Existem tensões sociais parecidas, como também existem no Brasil (cangaço, anyone?). Um Spaguetti Western é criado quando se tem o Western como um gênero cinematográfico mais do que um registro da imagem de uma tensão social dentro de uma dada cultura. Assim, os clichés, as marcas, a estrutura e o formato contribuem para uma linguagem, um mundo particular de coerência interna. Uma experiência cinematográfica.

E assim eu vejo a lógica dos filmes do Tarantino. Deve ter muito a ver com o fato de ele ser, basicamente, auto-didata. Mas em Inglorious Besterds, ele mostra que amadureceu muito. Eu comecei a rir já nos primeiros minutos, e continuei a rir bem depois de haverem acabado os créditos. Alias, fui rindo ao banheiro, fui rindo pegar o onibus pra casa, fui rindo ao supermercado, e ri até chegar em casa. Eu queria ter saído do cinema e encontrado o Tarantino pra beber uma cerveja e ficar comentando o filme. Aposto que ele já fez muito isso, deve estar de saco cheio. Mas esse é um dos filmes que eu preciso ter em DVD.

Ok, agora eu vou escrever um monte de spoilers.

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Publicado em:  on Outubro 11, 2009 at 1:31 pm Comentários (5)
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Cariocas são engraçados #1

Na bilheteria do Laura Alvim:

Pseudo-brasiliense: “Oi, que filme que tá começando agora?”

Caixa Carioca: “Fora o Bundapeste, só esses da tela”

Hahahahaha

Pior que no final o filme era uma Bundapeste mesmo.

Publicado em:  on Junho 12, 2009 at 2:17 pm Comentários (1)

Me Dá!

Caro Holmes, Caro Watson.

Caro Holmes, Caro Watson.

Cansei de esperar esse filme. (mais…)

Publicado em:  on Maio 7, 2009 at 10:36 pm Deixe um comentário
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Frank Sinatra e Bing Crosby vs Ella Fizgerald

Só pra reforçar meu ponto quando falei da Ella Fitzgerald há uns posts atrás. Reparem o que ela faz com a música “September Song”. Primeiro, como a música é cantada por Frank Sinatra e Bing Crosby:

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Publicado em:  on Abril 28, 2009 at 12:07 pm Deixe um comentário
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Some of my favorite movies

Alguém adivinha quais são?

Alguém adivinha quais são?

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Publicado em:  on Abril 27, 2009 at 12:53 pm Comentários (1)
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Overheard at the movies

Children say the darnedest things!

SPOILER (se você não viu “Monstros vs Alienígenas”, não continue!)

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Publicado em:  on Abril 22, 2009 at 8:31 pm Comentários (2)
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This is so wrong

Haha, que cena maravilhosa.

(Do Filme “Psicopata Americano”)

Publicado em:  on Maio 11, 2008 at 8:41 am Deixe um comentário

Agora quero comer empada

Sweeney Todd é muito bom, e nem é nojento.

Eu achava que ser um “musical” tornava o filme bem mais nojento do que ter “cenas de sangue espirrando na câmera”.

Mas acabei achando as músicas lindas, o sangue nojento e o final espetacular.

Uma bela narrativa.

Não é de se admiriar que achem um dedo dentro das tortas, a bitola do moedor de carne era muito grande.

Mas a minha empada, quero de frango e palmito.

Publicado em:  on Fevereiro 19, 2008 at 3:47 pm Comentários (2)

O Rei da Espanha era tipo vilão de conto de fadas

Ontem eu me vi de repente solta dos grilhões da responsabilidade auto-imposta. No meio de um pulinho, em que senti meu corpinho levinho para volare, dei-me conta que não sabia mais o que fazer sem culpa.

Aí fui na primeira sessão que encontrei de “Elisabeth: The Golden Age”. Eu amo história britânica, e essa época dos Tudor é a melhor (ah, tentador falar que era “tudo” ou “toda boa”, hein). Espero esse filme desde que foi anunciado.

Bem, ele é bobinho.

Lá pelas tantas, Elisabeth I, depois de muito tempo usar a dama de companhia homônima para emular sua vida desejada porém reprimida veementemente por suas ambições e responsabilidades, chega a um momento chave em que se percebe satisfeita em ser ela mesma. (Não se preocupem, não contei o filme todo, só a parte boa)

Aí a mulher do meu lado fala, “Nossa, ela é feminista, hein?”

Não sei, acho que curti muito mais que a vizinha.

Publicado em:  on at 3:23 pm Deixe um comentário