Sim, meme de novo, shut up

Here are the rules: Don’t take too long to think about it. Fifteen books you’ve read that will always stick with you. They don’t have to be the greatest books you’ve ever read, just the ones that stick with you. First fifteen you can recall in no more than 15 minutes.

Vi isso num blog por aí (na verdade, um Tumblr). Estou postando porque queria que vocês leitores também fizessem suas listas. Estou incluindo alguns da minha infância também. (Só pra imitar mais o post original)

1. A Room of One’s own – Virginia Woolf

2. White Teeth – Zadie Smith

3. On Beauty – Zadie Smith

4. The Beggining of Spring – Penelope Fitzgerald

5. A Bolsa Amarela – Lígia Bojunga

6. An Essay on Typography – Eric Gill

7. Medo e Submissão – Amélie Nothomb

8. Chasing the Perfect – Natalia Ilyin

9. Odisséia – Homero

10. Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde – Robert Louis Stevenson

11. An International Episode – Henry James (esse é só um conto, eu tinha escrito o nome errado. Ouvi pelo Librivox)

12. Frankenstein – Mary Shelley

13. The Country of the Blind and other selected stories – H.G. Wells

14.  The Island of Doctor Moreau – H.G. Wells

15. The Kite – Somerset Maugham

Sim, eu leio mais coisa em inglês do que em português, sue me.

http://lemonsugar.tumblr.com/post/160396539/here-are-the-rules-dont-take-too-long-to-think-about

Trocadalhos

Comecei a ouvir uma cantora australiana chamada Kate Miller-Heidke. Achei ela bem do tipo “there’s more than meets the eye”. Sua música é super pop chiclete dançante, bem como está meu gosto por agora. Além da música fantárdiga sobre o facebook, tem os trocadilhos bobinhos mas que eu achei geniais (bem típico meu isso) da “Just can’t shake it”.

Just can’t shake it pode ser, literalmente, não posso sacudir, mas também é usado pra falar de algo que você não consegue esquecer ou superar. Tipo, um sentimento que você não consegue deixar pra lá e te persegue, fica te amolando.

Exemplo: “I can’t give up what I’m in love with. I guess I’m a mess and I just can’t shake it. I just can’t change what I am.” (De alguma música aí, achei bem auto-explicativo)

Na música da Kate, ela usa o sentido literal, mas o figurativo também. Porque será que humor do tipo “rir-de-si-mesmo” é tão mais legal? O bom mesmo é quando os outros entendem que esse tipo de humor não é um convite à jogação de pedra. Quem ri de si mesmo sabe que no fim das contas, a gente não pode se levar muito a sério, e isso não tem nada a ver com respeito próprio, pelo contrário.

Ah, Just Can’t Shake It é sobre uma menina que não sabe dançar. A parte que mais me faz rir é quando ela diz, “The perpetrator lies between my back and my thighs”, seguida de “I execute the moonwalk like I stepped in shit”.

Can’t Shake It lyrics

When We Go Out Dancing on a Friday Night
I Get This Funny Feeling Something’s Not Quite Right
My Sense Of Rhythm isn’t controvertibly shite; I Can’t Fake It.
I can see the pity in your big brown eyes,
The perpetrator lies between my back and my thighs.
It doesn’t wanna wiggle though I try, try, try; I Can’t Make It.

(X2) I Get The Feeling that I look absurd

And It Hurts!

[Chorus]
I Just Can’t Shake It, Shake It, Shake It
Oh No I Just Cant Shake It, Shake It
{Oh!}
I Just Can’t Shake It, Shake It, Shake It
Oh No I Just Cant Shake It, Shake It
{Oh!}

Couldn’t Walk The Line Inside The Country Scene,
And Disco Was A Flat Up; Sure No Dancing Queen.
Couldn’t really qualify for break-dancing; I just break it.
Tried moving my body to the latest hit,
Someone called the nurse; thought I was having a fit.
I execute the moonwalk like I stepped in shit,
I can’t take it.

(X2) I Get The Feeling that I look absurd

Bonus: a música do facebook.

Publicado em:  on Agosto 7, 2009 at 2:11 pm Comentários (2)
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Etelvina, sua criada

Peço desculpas pelo post chato.

Achei essa frase da Clarisse Lispector e me identifiquei:

“O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.”

(Agora a chateação do post dá suas caras; sempre me avisam que eu sou muito técnica quando escrevo, mas é porque as idéias tão gritando “a fila anda!” lá de trás, e, bem, aqui eu posso, dá licença)


Motivo #1

Eu acho que sei como o que “obviamente não presta”, “inacabado”, “malfeito” desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão” sente. Não porque eu ache que não preste, que sou inacabada, malfeita. É só essa tensão constante misturada com uma vontade forte. Todas as duas, forças direcionadas para coisas as quais se diz, “mas, pra quê?”, “é de comer?”, “faz dinheiro?” “puta que pariu, você merece sofrer, que idiota.” Uma energia enorme que se dissipa e se concentra e se dissipa e se concentra e se dissipa e se concentra e se…

Motivo #2
Você diz pro que obviamente não presta, inacabado, malfeito, que gosta, e ele te acha uma idiota. É adorável. Você elogia e ele logo acha, ah, que puxa, lá vem o elogio da cauda grande.

(parêntese: o elogio da cauda grande te dá uma chicotada que te pega de surpresa)

Ele pensa, uma hora ela vai se tocar que eu não presto, porque isso é óbvio. Ela é inteligente, só pode estar de sac*nagem comigo. Mas mal sabe o mal acabado que eu pensava a mesma coisa.

Motivo #3
É a Clarisse. Eu lembro que o primeiro livro dela que tive em casa era o do coelho. A capa era assustadora, nunca li. Fiquei ligando coelho medonho da ilustração da capa a Clarisse Lispector, com aquele olhar de lança. O olhar dela em todas as fotos que eu via era perfurante, ok, mas perfurar é pouco, aquilo era lança de matar cavalo. E uma vez eu fui pro Museu da Língua Portuguesa porque tinha uma exposição sobre ela. Num vídeo eu ouvi sua voz pela primeira vez. Achei muito estranho. Que sotaque é esse? É de onde? Ela é ucraniana (não sei, joguei a piada, sei que ela é eslava), mas chegou ao Brasil cedo. Que sotaque é esse? Pois não é sotaque. Ela tinha a língua presa. Estava lá aquela mulher de olhos de lança, postura impecável na poltrona de entrevistada, dominando a cena, …e a língua presa. Uma dificuldade de fala, uma lança nos olhos. Inacabada. Em algum lugar li que ela tinha sido recebida no mundo literário com um pouco de desprezo, porque “Lispector”, e pior,”Clarisse”, eram nomes ridículos. Obviamente não prestam.

E isso de terminar logo de cara, começar já acabado, remediado está. Eu sinto uma alegria tão grande de suspeitar que sabem como me sinto. É bom botar a planta do pé no chão depois de tanto tempo andando na ponta dos pés. Mas aí que nem começou e já acabou, eu quis fingir que não tinha acontecido, mas voltar a andar na ponta dos pés assim… Agora que já tateei o chão, a ponta dos dedos sabe que tem todo aquele espaço inconquistável, e é tão pior assim.

Ze Frank making a lemonade

Há uns 5 anos (mais ou menos) o Rubens me apresentou ao Ze Frank. Durante 2006 eu fiquei viciada no “The Show”, um programa praticamente diario (ele parava nos fins de semana) que Ze fez sozinho durante exatamente 365 dias (give and take).

Olha que ótima jornalista eu sou, que escrita informativa. Tudo graças ao meu diploma. (Alarme de sarcasmo, eu sou formada em Desenho Industrial)

Sim, mas agora dei de cara com um projeto novo do Ze, mas olha que chique. É tipo o “The Show”, mas condensado e… está no site da Time. Uma bela limonada.

Caras como Ze, engraçados, esforçados, criativos, inteligentes e sensíveis. Ok, entidade sobrenatural que sabe tudo? Manda tipo um desses pra mim. Chega de malucos. Eu sei que eu fui taxista na vida passada, mas já chega de malucos.

Publicado em:  on Julho 5, 2009 at 1:18 pm Comentários (1)
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O melhor da Obamaland na Lapa

Sexta, depois de passar o dia na correria acertando as coisas do meu apartamento, eu terminei o dia na Lapa.

Calma! Na Sala Cecília Meireles.

As luzes se apagaram e adentrou o palco uma moça jovem, com um vestido que seria muito brega, mas que por algum motivo, parecia cinematográfico. Sem mais delongas, ela começou seu solo. O rosto perfeitamente plácido, o corpo dançando, o violino cheio de vigor.

Hilary Hahn tocava como se não fosse nada! Uma auto confiança nada arrogante. Seria tão fácil ser arrogante! E nem ao menos humilde ela é. Não há sacrifício ou sofrimento. Só música sincera, uma franqueza auto-confiante obamalandiana que é uma das coisas que eu mais admiro naquela terra.

E olha que ela reclama que sempre confundem ela por norueguesa.

Auto-confiança Franca em ação:

Hilary tocando a Chaccone, minha preferida :) Ela substitui a dor cortante por uma dor suave. Não sei se é bom, mas prefiro assim.

Publicado em:  on Junho 21, 2009 at 10:22 pm Comentários (1)
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A repatriada: fase #2

Ok, eu nao falei da fase #1, mas ela ja foi completada: consegui sair da casa dos outros. Quase.

(desculpem a falta de acentos, estou usando um pc gringo)

Fiquei desafiando o frio do Rio, tentando encarar os persistentes 16C como apenas psicolgicamente frios. Bem, o muco empelotado que saia das minhas vias nasais provava  que frio eh frio, ou entao a gripe foi uma expressao somatizada da percepcao psicologica do frio carioca (ou tava frio mesmo).

(desculpem, eu fiz cafe superforte e agora tou estranha)

Bem, eu queria ter feito faxina na minha sede ontem (voces sabem, o apt que tem elevador com porta pornografica), mas achei melhor ficar quietinha. (E curar a gripe). Hoje eu queria comprar os essenciais pra segunda feira, quando chegam a geladeira e a cama: entre elas, uma poltrona (POLTRONENHA, como diria a Juju). Nao tou 100% mas tou me sentindo agoniada demais pra ficar quieta mais um dia.

Ah, a fase #2: emprego. Eu sei que essa geralmente eh a fase #1 pra quem muda de cidade, mas HA, eu sou toda performatica.

Eh, eh o cafe’.

Ok, entao: Se alguem souber da necessidade de tradutora/ interprete ingles-portugues/portugues-ingles; professora de historia da arte (principalmente moderna); professora de ingles; designer gra’fica (editoracao e web), HELLO! Chama eu.

Publicado em:  on at 11:09 am Comentários (4)
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Sorria, você não está na Bahia

Meu artigo foi aprovado para apresentação num encontro de pesquisadores chiquezinho. Ano passado tinham me esnobado. Olha o Murphy aí: o do ano passado foi em Floripa, onde eu tenho parentes; o de agora é na Bahia (onde não tenho). Humpf. Além de pensar como vai ser caro ir pra lá, não estou muito feliz em ir porque eu odeio. Odeio Bahia, bahiano, só gosto da comida e se a natureza foi irritante feito a de Porto Seguro e Arraial d”ajuda, desconfio que vou odiar tudo.

Por outro lado, aparentemente é a Bahia que me acolheu. É a minha primeira apresentação para uma platéia de maioria de outros teóricos, críticos e historiadores da arte. Isso faz bem pro ego, mas também dá uma certa apreensão.  Não estou mais ligada a nenhum programa, estou formada. Ou seja, estou on my own.  Vai ficar ótimo no meu curriculo; vou conhecer outros patinhos feios feito eu, e fazer contatos intelectuais e profissionais.

Ah, e de Goiânia veio a notícia que meu artigo do ano passado (que apresentei lá), não está só nos anais do evento; foi pra revista do programa de pós. Minha primeira publicação em periódico :)

Ah. Essa parada de “sorria, vc não está na Bahia” é uma coisa que a minha mãe fala. Ela também fala “Uca não!” quando vê um carro com somzão alto, estilo “tijucano”, como ela fala. Se vocês forem acusar alguém de bairrismo, apontem pra ela.

Publicado em:  on Junho 17, 2009 at 10:15 am Comentários (7)
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O filme do Japa que é violoncelista e muda de emprego

O filme que o Nei falou é exatamente o que eu vi e que me deixou toda engasgada. Ouvi soluços desconcertantes no cinema. Chama-se “A Partida” (eu cismei que era “A Passagem”) e ganhou Oscar.  Na hora de receber o prêmio o diretor (eu acho) fez a gracinha de dizer “domo arigato mr. roboto”, que nem na música.

Eu adorei o filme. Ao sair, minha tia já foi falando que odiou, achou piegas. Realmente, ele começa com um humor negro e lá pelo meio fica mais sentimental. A trilha sonora é meio comercial de margarina. Segundo minha tia, parecia enlatado pra fazer americano chorar.

Mas eu contei pra ela que tinha visto outras coisas no filme. Fiquei uns 5 minutos explicando. Talvez mais. No final, ela me olhou com um sorrizinho que eu identifico como “que fofinha minha sobrinha”, e eu imaginei que tivesse falado algo poliana, deixei pra lá.

Hoje ela me disse que foi atrás de várias críticas sobre esse filme e nenhuma falava das coisas que eu interpretei. Então eu fui falando que eu tinha identificado coisas de fenomenologia, sinestesia, semiótica plástica. Coisas sobre as quais li durante o mestrado mas que pra minha orientadora eu não tinha a menor autonomia pra falar. (E não tenho mesmo). Eu penso muito essas coisas mas como acho que ou é banal demais e todo mundo vê isso, ou ninguém vê e é idiotice mesmo, só falo delas com essa minha tia. Ela faz essa cara de “bobrinha fofinha”, mas pelo menos gosta de bater uma bolinha filosófica. Segundo ela, eu devia escrever o que falei, porque estava muito bom.

Acho que vou começar sim, mas não vou publicar aqui. Vou tentar me levar mais a sério e escrever em forma de artigo. Tudo isso porque o Rio de Janeiro é lindo, mas em São Paulo tem comida étnica maravilhosa. (E se…eu tentasse ir pra SP?Plano a longo prazo, mas mais realista que ir pro exterior.)

Publicado em:  on Junho 14, 2009 at 11:22 pm Comentários (6)
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Standby

Em resposta ao Daniel, claro que eu esperava resolver tudo em uma semana. Na verdade, a semana pra mim pareceu um mês. Torturante!

Enquanto fico em standby, percebi as seguintes coisas no Rio:

#1 Existe um carro do metrô que, durante a hora do Rush, é reservado para mulheres.

#2 Assumo que isso tenha sido acordado entre as autoridades porque o que uma vez aconteceu comigo acontece muito.

#3 Vocês sabem, um homem ereto (pun intended) numa proximidade insistente e pouco católica no meio de um trem lotado.

#4 Pois hoje na frente desse vagão haviam dois seguranças (homens) assegurando que no vagão não entrassem homens potencialmente eretos, insistentes e pouco católicos.

#5  Isso aconteceu só na direção Zona Norte.

#6 Na direção Zona Sul não havia seguranças.

#7 Na direção Zona Norte não haviam homens no vagão anti-misóginos, ao contrário da direção Zona Sul.

#8 A direção Zona Sul recebe de bom grado misóginos de todas as idades e profissões.

#9 Tanto é que uma moça ofereceu o assento em que estava (aqueles reservados para a terceira idade) para um senhor da terceira idade e ele recusou, dizendo que era o carro das mulheres.

#10 Os outros misóginos todos não ficaram constrangidos, o que me faz chegar à seguinte conclusão:

#11 Pessoas gostam mais de cachorros, mas usam a palavra “cachorro” para xingar; não gostam de gatos, mas usam a palavra “gato” para elogiar.

#12 E agora o Daniel vai rir à beça da amiga dele que é toda caótica.

Liberdade

Na palestra do TED de Barry Schwartz, baseada no seu livro,Paradox of Choice, encontrei algumas coisas interesantes. Schwartz falando sobre o “dogma oficial de todas as sociedades industriais ocidentais”:

  • Liberdade é essencial para os seres humanos;
  • Agir como indivíduos nos proporcionará agir por conta própria no que diz respeito ao nosso bem estar e nao precisaremos esperar que façam por nós;
  • Liberdade individual chega a nós através da liberdade de escolha;
  • Mais escolha, mais liberdade, mais bem estar.

Ele obviamente está excluindo países periféricos, em desenvolvimento, e mesmo os submdesenvolvidos. No final da palestra ele até faz questão de dizer que são países “afluentes” aos quais ele se refere. Mas alguns Brasileiros podem achar que ele está falando de nós.

(mais…)

Publicado em:  on Maio 24, 2009 at 12:44 pm Comentários (2)
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