O repeteco

Vi “Dança com Lobos hoje”, e não passou na regra dos 15 anos. Terei eu ficado cínica demais?

Pareceu muito velho. MUITO. Que mundo era aquele que criou “Dança com Lobos”?

Não parece o mesmo mundo que criou “Inglorious Basterds”. Esse que vi e revi depois de ter 15 anos. Tinha menos de 15 anos quando vi Pulp Fiction, sem gostar. Será que hoje eu gostaria? Acho que revi depois dos 15, e não gostei.

Aos 13 eu chorei vendo “Cinema Paradiso”. Chorei que funguei e saiu meleca e foi aquele drama. Por anos continuava chorando ao ver “Cinema Paradiso”. Chorava só de ouvir os violininhos. Agora acho o Toto um belo de um f¨lha da p*ta. (Não é auto-censura, é pra evitar o search engine).

Eu lembro quando era criança e ia ao cinema com minha mãe, ela sempre parecia ter um acesso privilegiado à narrativa. Ela sabia explicar tudo do filme! Sabia coisas que ainda iam acontecer. Eu nunca tinha percebido que acabei passando anos com a sensação que existiam pessoas com um acesso privilegiado às coisas da vida.

Hoje em dia parece mais que tá todo mundo criando seu mundinho particular, e ninguém vive no meu mundo. Os meus problemas são só meus mesmo.

Em Dança com Lobos, tinha sempre um índio muito sabido.

No meu mundo não tem mais índio sabido nenhum.

O meu mundo tá mais pra cada um por si, acreditando na narrativa particular de cada um, as vezes se unindo a outros com objetivos diferentes mas um gosto especial pela sensação de estar vivo.

No meu mundo sou só mais um Inglorious Basterd.

Arrivederci.

Mamãe, coragem

Mamãe e eu sempre fomos muito próximas. Na família do meu pai nego até fica de condenscendência quando comentam nossa relação.

A verdade é que eu vivo pagando de agony aunt dela, e até hoje ela me chama pro Skype só pra eu dar opinião sobre o namoro dela (aliás eu sou consultora espiritual de todo mundo, e nunca pratico o que digo).

Fica todo mundo vindo falar comigo e sempre dizem, ai, sua mãe deve estar sentindo sua falta. Deve estar dificil pra ela.

E aí hoje eu tava no Skype com ela, fazendo papel de agony aunt enquanto me encontro no estado de agonia até saber do resultado da primeira fase da seleção do doutorado, e ela resolve perguntar como estou.

Baru: Ai mãe, ficou aqui pensando que eu forcei meus limites além de uma vida previsível. Parece que agora qualquer coisa pode acontecer. E eu não posso voltar atrás, porque não tenho pra onde voltar.

Mommy: É mesmo, eu me livrei da sua cama! :) :):):)

Gal Costa Feelings.

(O vídeo é com Jards Macalé, sensacional o show dele de gratis em Salvador. )

Brilho eterno

Porque, porque porque meu deus aquele filme não era um documentário.

Eu juro que ia correndo atrás da máquina que ajuda a esquecer.

Ou então uma máquina que me fizesse ser uma menina normal.

Ou então que eu não tivesse memória nenhuma, de nada.

Ou então que eu fosse budista; na próxima encarnação eu merecia voltar como um peixinho dourado. Uma vida nova a cada 3 segundos.

(insira aqui seu palavrão preferido)

Publicado em: on Agosto 23, 2009 at 1:38 am Comentários (2)
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Propósitos da Viagem 2

A memória mais antiga que me vem à mente de minha mãe me lendo uma história é de estar no quarto, na Savana, muito admirada da história do Touro Ferninando. Era um livro de origem espanhola. Minha mãe nasceu na Espanha e sempre gostou de mostrar pra gente um pouco da cultura de lá. Fora a comida, (tortillas, etc) a espanha pra mim era aquela coisa do Touro Ferdinando. Ele era um touro muito dócil, adorava ficar cheirando as flores, não servia pra tourada. Até que um dia ele foi picado por uma abelha e ficou muito bravo. Depois que a dor passou, ele voltou ao normal.

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Publicado em: on Agosto 13, 2009 at 9:28 pm Deixe um comentário
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A batedeira

Quando eu tava pra nascer, o casamento dos meus pais já não ia bem. Minha mãe começou a ter problemas na gravidez, certamente influenciadas por isso. Acho que não era só a relação deles que não ia muito bem. Dizem que tem uma tal de síndrome do segundo filho, e aposto que ela não ajudou nada. Por fim, minha mãe foi aconselhada pelo médico a ir pro Rio, ficar com a minha avó e o resto da família dela.

Minha mãe se recusou a tomar um remédio meio experimental que seguraria as contrações. Como ela tinha placenta prévia, a situação era muito séria. Eu cresci achando que o perigo era que eu morresse, mas ela explicou que não, perigo corria era a vida dela. Pois minha mãe ficou numa cama, imóvel, por um mês. Se ela se movesse, eu nascia; nascia numa época perigosa da gestação, nascia com perigo de ela ter hemorragia. Então ela ficou quietinha, em pleno verão carioca, numa cama de hospital. Minha avó ficava do lado, minha tia corria pra cima e pra baixo pra arranjar material de tapeçaria pra minha mãe ter como se ocupar.

Minha mãe fez um monte desses tapetinhos, todos pensando em mim. Um mês antes de eu ir pro Rio me jogar nos meus sonhos, ela me veio com esse quadro:

Desculpem a bagunça e a granulação

Desculpem a bagunça e a granulação

É uma das tapeçarias que ela fez nessa época.

Bem, no fim de tudo, eu nasci, de cesária, bochechuda feito buda, e ficou tudo bem. Minha mãe foi toda costurada pro Circo Voador e ainda levou cantada. O show era do Eduardo Dusek. Ela tinha quase 24 anos.

Ontem eu estava aqui na casa dela (agora é assim, tem a minha casa, e tem a dela, aqui), vendo o que eu podia carregar comigo. Vi a batedeira elétrica que a gente tem desde sempre, falei que ia levar (já que é 110 mesmo).

“Pode levar. Leva! É sua mesmo. Seu pai me deu quando você nasceu, pra comemorar seu nascimento. Me deu a batedeira, uma secadora, e mais uma outra coisa. De presente por tudo que eu passei pra ter você.”

E você que está lendo pode achar que minha mãe é uma mulher amarga. Mas minha mãe é do tipo que passa isso tudo pra ter um filho e vai no show do Eduardo Dusek, no Circo Voador. Minha mãe é do tipo que ganha um presente desses do marido sem noção e passa minha infância toda fazendo bolo, doce, torta. Minha mãe é do tipo que passa por tudo isso e não desiste. E hoje ela namora um cara super legal, que sabe que nascimento de filho se comemora com beijo, e não com batedeira.

E meu pai casou com uma mulher maravilhosa, que se receber batedeira de presente, manda ele tomar no cú.

E tá todo mundo feliz. Inclusive eu, que adoro cozinhar e agora tenho uma batedeira.

If you don’t cry

Publicado em: on Maio 10, 2009 at 12:04 am Deixe um comentário
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Frank Sinatra e Bing Crosby vs Ella Fizgerald

Só pra reforçar meu ponto quando falei da Ella Fitzgerald há uns posts atrás. Reparem o que ela faz com a música “September Song”. Primeiro, como a música é cantada por Frank Sinatra e Bing Crosby:

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Publicado em: on Abril 28, 2009 at 12:07 pm Deixe um comentário
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Automatic for the People

A garota carioca que vos escreve suingava com isso

A garota carioca que vos escreve suingava com isso

Gente que lê isso aqui: finalmente estou na reta final do meu mestrado,  praticamente formada, praticamente de férias, praticamente desempregada. yay! Estou voltando pra minha terra natal (acidental), o Rio de Janeiro, e sinto que estou indo full circle. Por isso tive a idéia de postar sobre os discos que me influenciaram durante minha vida, depois de passar um tempão com preguiça e falta de idéias. O primeiro é Automatic for the People, do REM.

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Publicado em: on Abril 8, 2009 at 12:58 pm Deixe um comentário
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The cheese diaries

Eu amo queijo. Amo comida. Adoro gente que ama comida. Foi por isso que fiquei super feliz em saber do videocast Alex James: The cheese diaries, do jornal The Guardian, que mostra o ex-baixista do Blur acompanhando um concurso de melhor queijo. Ora, a minha banda mais adorada durante a adolescência (até eu conhecer, na ordem, Namie Amuro, Glay e L’arc~en~ciel) morreu, e é muito interessante ver o que eles fazem agora. Particularmente, eu odeio o Damon Albarn, principalmente depois que ele brigou com o Graham Coxon. Tinha também aquele ruivo, o baterista.  Agora, o Alex James é impressionante. Minhas amigas do falecido Santa Úrsula riam muito da minha cara, por gostar de uma banda cheia de viadinhos – o Alex realmente parecia muito. Virge maria, que era até vegetariano (nada contra). Pra botar a cereja no sunday dos esquisitões, ele era formado em Astrofísica e cantava uma música no disco Parklife chamada “Far out”.  Bem, onde e como anda essa figura, e onde eu estou querendo chegar?

Alex James agora é pai de 3 meninos e uma menina, e mora numa fazenda produtora de queijo no interior. Lançou um queijo azul (tipo gorgonzola) chamado Blue Monday (wink wink nudge nudge) Ah, ele não é mais vegetariano. Me lembra a letra de Country House.

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Publicado em: on Janeiro 6, 2009 at 1:38 am Comentários (1)
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