Researching ain’t easy

Estou de passagem pela Savana, resolvendo mais alguns detalhes da minha vida. Quis aproveitar e investigar mais algumas obras que pretendo estudar no meu doutorado. Não teve uma ocasião que não rendesse uma história. Quando fui à igrejinha, minha mãe acabou sendo entrevistada para o jornal local, para dar sua opinião sobre uma história que vem sido requentada à 4 meses (coisas da fina flor do jornalismo). A história me irrita, não vou falar dela.

No segundo painel que fui fotografar, conheci uma senhourinha que propôs que eu criasse um projeto para a visitação do espaço que estudei a fundo no meu mestrado. Lembrei na hora da Hiroko reclamando que lá eles “falam errado” quando explicam que o painel que eu estudei à semi-exaustão é feito aleatoreamente. Ia ser legal poder escrever algo para talvez melhorar a maneira como se fala daquele espaço, mas ao mesmo tempo, lembrei que ninguém lá liga muito pro que fala ou faz. Pesando os dois, fico inclinada a achar que nenhum dinheiro paga meu trabalho virar água.

No terceiro, na Fábrica de Diplomatas, fui, por pura educação, falar com a recepção e o segurança de plantão se estava tudo bem eu tirar fotos do painel da entrada principal. Fizeram cara feia, pediram o documento, perguntaram “de onde você é?”, me mandaram falar com a recepção 2, onde conheci um rapaz de semblante assustado que me levou ao segundo andar. Lá, novamente disseram, “parece que está proibido tirar fotos desse painel”, e a secretária disse que o embaixador não estava, e nem havia nenhum secretário. Os dois estavam assustadíssimos. Eu comentei que devia ter escolhido fazer meu doutorado sobre bombas atômicas, devia ser mais fácil. Até que uma porta de um gabinete se abre numa fresta, donde vejo a cabecinha calva de um “Doutor”. O semblante assustado ambulante explica a situação nervosamente, é auxiliado pela secretária – “ela quer tirar foto do painel. É pro Doutorado” – E o “Doutor” faz um sorrizinho de papai noel e acena positivamente. E pensar que eu já me imaginei estudando no Rio Branco.

O último, que acabei de descobrir, foi bem engraçado. Parei o carro no susto, comecei a tirar fotos. Vi que o prédio ainda estava em construção, não achei placa de identificação. Mas o painel é com certeza do autor que pesquiso. Resolvi falar com o segurança que ficava na guarita do outro lado da rua. O cara já devia estar me observando. Perguntei o que era aquele prédio, e ele explicou tudo. Disse que não tinha certeza, mas aquele painel parecia ser do Athos Bulcão, não é? Ele tinha lido que estavam fazendo reproduções das obras dele pela cidade. Eu garanti (e ainda tenho certeza) que aquele é um original. O segurança ainda perguntou se aquele da estação de metrô no Plano Piloto era do mesmo autor, eu disse que não (e não tem nada a ver). Daí virou e disse, é muito legal esse painel. Você vê que parece um monte de peças diferentes, mas só tem duas. Eu confirmei, disse que era uma com um arco e uma branca. Essa foi a conversa mais legal que tive. O cara deve ficar olhando o painel o dia inteiro, e falou com o maior interesse. “Você parou e tirou foto porque achou bonito, foi?” Foi. Achar bonito pra mim sempre é o ponto de partida.

Resolvi seguir a indicação do segurança e fui tentar achar o engenheiro da obra. Cheguei no canteiro e perguntei pra primeira figura de autoridade que vi: um homem com camisa social e uma prancheta na mão. No final, era só o encarregado pela instalação das esquadrias de madeira, um cara com sotaque engraçado que garantiu que o painel era do Bulcão mesmo e que o projeto arquitetônico era do Niemeyer. Achei meio sem noção, o prédio não parece coisa do  Niemeyer, mas tudo bem. Senhor Prancheta me acompanha até alguém que tenha mais informações, e finalmente tenho outra confirmação que é do Bulcão sim. Mas o projeto não é do Niemeyer.

E terminei a tarde pagando o meu terceiro mês de aluguel.

Publicado em:  on Setembro 1, 2009 at 5:09 pm Comentários (8)
Tags: ,

Saturday’s Eu se fosse gato

Publicado em:  on Dezembro 6, 2008 at 11:15 am Deixe um comentário
Tags:

Things, things, things

Publicado em:  on Julho 14, 2008 at 2:15 am Deixe um comentário

Society – Eddie Vedder

Publicado em:  on at 12:47 am Comentários (1)